INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Uma paciente com 42 anos de idade, com antecedentes de duas gestações prévias sem intercorrências e sem outras comorbidades, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixas de aumento de volume em região cervical anterior, notado há aproximadamente 10 meses. Nega dor local ou vermelhidão. Nega quadros semelhantes na família. No exame físico encontra-se em bom estado geral, corada, sem linfonodomegalias cervicais. A tireoide é visível durante a deglutição e, na palpação, tem dimensões aumentadas em cerca de 2 vezes, com consistência mais fibrosa do que a normal, é móvel e indolor e sem nódulos palpáveis. As auscultas cardíaca e pulmonar são normais. A frequência cardíaca é de 72 bpm e a pressão arterial = 125 × 70 mmHg. A paciente não apresenta tremores de extremidades. A ultrassonografia da tireoide revela uma glândula com ecotextura heterogênea e com parênquima moderadamente hipoecoico; observam-se áreas de hiperecogenicidade e traves fibróticas. O volume total é de 28 mL (Valor de referência = 8 - 14 mL). Além de solicitar dosagens de TSH e de T4 livre, a conduta adequada para essa paciente é solicitar:
Bócio indolor + USG heterogêneo/hipoecoico → Solicitar Anti-TPO (Hashimoto).
A suspeita clínica de Tireoidite de Hashimoto baseia-se no bócio firme e indolor com padrão ultrassonográfico de tireoidite, sendo confirmada pela presença de anticorpos Anti-TPO.
A Tireoidite de Hashimoto é a principal causa de hipotireoidismo em regiões com suficiência de iodo. A fisiopatologia envolve uma destruição mediada por células T e anticorpos do parênquima tireoidiano. Clinicamente, manifesta-se frequentemente como um bócio indolor de consistência firme ou elástica. O diagnóstico laboratorial inicia-se com o TSH. Se elevado, o T4 livre define se o quadro é clínico ou subclínico. A positividade do Anti-TPO em cerca de 90-95% dos casos sela o diagnóstico etiológico. A ultrassonografia é uma ferramenta complementar valiosa para excluir nódulos e confirmar o padrão inflamatório crônico da glândula.
O anticorpo antitireoperoxidase (Anti-TPO) é o marcador mais sensível para tireoidite autoimune (Hashimoto). Sua presença confirma a etiologia autoimune do bócio ou do hipotireoidismo e é um forte preditor de progressão para hipotireoidismo clínico em pacientes com TSH levemente elevado.
A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) não é indicada para o diagnóstico da tireoidite em si. Ela deve ser reservada apenas se houver nódulos suspeitos (nódulos dominantes ou com características ultrassonográficas de malignidade) detectados durante o exame físico ou ultrassonografia.
Os achados clássicos incluem uma glândula de volume aumentado ou normal, com ecotextura difusamente heterogênea, parênquima hipoecoico e presença de traves fibróticas hiperecogênicas que conferem um aspecto 'pseudonodular' ou 'em queijo suíço'.
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