INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma adolescente com 15 anos de idade, diagnosticada com diabetes melito tipo 1 há 6 anos, é atendida em ambulatório de Atenção Secundária com queixa de adinamia e sonolência excessiva, que vem comprometendo suas atividades escolares. Devido à palpação de tumoração na parte anterior do pescoço, surgida há 2 meses, o médico solicitou ultrassonografia de tireoide, que evidenciou hipoecogenicidade e bócio heterogêneo com micronódulos distribuídos pelo parênquima. Com base nessa situação, assinale a alternativa em que são apresentados os achados laboratoriais que confirmam o diagnóstico:
Hipotireoidismo primário = TSH ↑ + T4L ↓ + Anti-TPO positivo (Hashimoto).
A associação de DM1 com bócio e sintomas de hipotireoidismo sugere Tireoidite de Hashimoto, confirmada por TSH elevado e anticorpos positivos.
A Tireoidite de Hashimoto é a principal causa de hipotireoidismo em áreas com suficiência de iodo. Caracteriza-se por uma destruição imunomediada da glândula tireoide, levando à falência funcional. O quadro clínico de adinamia e sonolência em uma adolescente com DM1 deve sempre levantar a suspeita de hipotireoidismo associado. O diagnóstico laboratorial baseia-se na elevação do TSH (hormônio tireoestimulante) e na redução do T4 livre, configurando o hipotireoidismo primário. A positividade do anticorpo anti-TPO sela o diagnóstico etiológico de Hashimoto. O tratamento consiste na reposição de levotiroxina, visando a normalização do TSH.
Pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 1 possuem uma predisposição genética a doenças autoimunes, frequentemente agrupadas nas Síndromes Poliglandulares Autoimunes (SPA). A Tireoidite de Hashimoto é a doença autoimune associada mais comum no DM1. A triagem com TSH é recomendada anualmente ou na presença de sintomas sugestivos de disfunção tireoidiana nesses pacientes.
O ultrassom da tireoide na fase ativa da Tireoidite de Hashimoto geralmente mostra uma glândula de volume aumentado (bócio), parênquima heterogêneo e hipoecogênico. É comum a presença de septos fibróticos e micronódulos hipoecoicos espalhados pelo parênquima, que representam áreas de infiltração linfocitária intensa, conferindo um aspecto 'pseudonodular'.
O anticorpo antiperoxidase (Anti-TPO) é o marcador mais sensível para a Tireoidite de Hashimoto, estando presente em mais de 90% dos pacientes. Sua presença confirma a etiologia autoimune do hipotireoidismo e é um preditor de progressão para hipotireoidismo clínico em pacientes que apresentam apenas TSH elevado com T4 livre normal (hipotireoidismo subclínico).
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