Tireoidite Factícia: Diagnóstico e Diferenciação da Tireotoxicose

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente jovem apresentando palpitação, procura cardiologista que descarta causas cardíacas. Suspeita de origem endocrinológica e solicita exames de tireoide que revelam: TSH 0.01 mU/L, T3 250 ng/dl, T4 livre 2.5 ng/dl, T4 25ng/dl, tireoglobulina 1.0 ng/ml, cintilografia com baixa captação. Valores de referência: TSH 0,3 e 4,0 mU/L, T3 80 a 180 ng/dl, T4 livre 0.7-1.8 ng/dl, T4 total 4,5 a 12.6 mg/dl, tireoglobulina 2,0 a 60,0 ng/MI. O provável diagnóstico é

Alternativas

  1. A) a doença de Graves
  2. B) o bócio nodular tireotóxico
  3. C) tireoidite factícia
  4. D) tireoidite subaguda

Pérola Clínica

Tireotoxicose + TSH ↓ + T3/T4 ↑ + Tireoglobulina ↓ + Captação cintilográfica ↓ = Tireoidite Factícia.

Resumo-Chave

A tireoidite factícia (ou tireotoxicose exógena) é caracterizada por níveis elevados de hormônios tireoidianos (T3/T4) e TSH suprimido, mas com tireoglobulina baixa e captação de iodo na cintilografia também baixa, indicando que a tireoide não está produzindo os hormônios.

Contexto Educacional

A tireotoxicose é uma condição clínica causada pelo excesso de hormônios tireoidianos, que pode ter diversas etiologias. A diferenciação entre as causas é crucial para o manejo adequado e é um tópico complexo e frequentemente cobrado em provas de residência. A questão aborda um cenário clássico de tireotoxicose com baixa captação, onde a chave para o diagnóstico diferencial reside na análise conjunta dos exames laboratoriais e da cintilografia. No caso apresentado, o paciente tem TSH suprimido e T3/T4 elevados, indicando tireotoxicose. A cintilografia com baixa captação de iodo radioativo sugere que a tireoide não está produzindo ativamente os hormônios. Dentro das causas de tireotoxicose com baixa captação, temos as tireoidites (subaguda, silenciosa) e a tireotoxicose factícia (ingestão exógena de hormônios). O diferencial crucial é a tireoglobulina: nas tireoidites, a destruição do tecido tireoidiano libera tireoglobulina, que estará normal ou elevada. Na tireoidite factícia, como os hormônios são exógenos e a tireoide está inativa, a tireoglobulina estará baixa ou indetectável. Portanto, a combinação de TSH baixo, T3/T4 altos, tireoglobulina baixa e baixa captação na cintilografia é patognomônica de tireoidite factícia. Para o residente, é fundamental dominar esse algoritmo diagnóstico para evitar erros e garantir a conduta correta, que neste caso envolve a identificação e interrupção da fonte exógena de hormônios.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais que sugerem tireoidite factícia?

A tireoidite factícia é sugerida por TSH suprimido, T3 e T4 elevados, mas com níveis de tireoglobulina baixos ou indetectáveis, e uma captação de iodo radioativo na cintilografia tireoidiana também baixa. Isso indica que os hormônios tireoidianos são de origem exógena.

Como diferenciar tireoidite factícia de outras causas de tireotoxicose com baixa captação?

A principal diferenciação de outras tireoidites (como subaguda ou silenciosa) que também cursam com baixa captação é o nível de tireoglobulina. Na tireoidite factícia, a tireoglobulina é baixa, pois a tireoide não está sendo estimulada a produzir hormônios. Nas outras tireoidites, a tireoglobulina é normal ou elevada devido à destruição do tecido tireoidiano e liberação de hormônios pré-formados.

Qual a fisiopatologia da tireoidite factícia?

A tireoidite factícia ocorre pela ingestão exógena de hormônios tireoidianos. Isso leva à supressão do TSH pela hipófise, que por sua vez inibe a produção endógena de hormônios pela tireoide, resultando em baixa tireoglobulina e baixa captação de iodo pela glândula.

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