Tinea Corporis Zoonótica: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Um homem com 26 anos de idade comparece à consulta na atenção básica por "impinge". Ele refere que seu cachorro também está com lesões descamativas de pele, apresentando inclusive áreas de alopecia. Ao exame físico, verificam-se manchas eritematosas descamativas em forma de anel, que poupam a região central, localizadas em tronco, face e braços. O paciente relata ter usado clotrimazol, sem ter obtido melhora.Para esse paciente, a conduta imediata deve ser

Alternativas

  1. A)  investigar possível infecção fúngica por meio da avaliação de KOH a 10% ou cultura fúngica por raspagem da pele; se o teste for positivo, tratar com terbinafina oral por 14 dias
  2. B) investigar possível infecção fúngica por meio da avaliação de KOH a 10% ou cultura fúngica por raspagem da pele; se o teste for positivo, tratar com fluconazol 200 mg, dose única.
  3. C) tratar com clotrimazol tópico por 3 semanas, visto que, pelas características das lesões de pele, muito sugestivas de lesão fúngica, não há necessidade de investigação adicional.
  4. D) investigar possível infecção fúngica por meio da avaliação de KOH a 10% ou cultura fúngica por raspagem da pele; se o teste for positivo, tratar com betametazona e cetoconazol tópicos por 14 dias.

Pérola Clínica

Suspeita de Tinea corporis zoonótica (animal de estimação) → confirmar com KOH/cultura e tratar com antifúngico oral (terbinafina).

Resumo-Chave

A presença de lesões anulares descamativas que poupam o centro, associada a contato com animal de estimação com lesões semelhantes, sugere fortemente uma dermatofitose zoonótica (Tinea corporis). A falha do tratamento tópico com clotrimazol indica a necessidade de confirmação diagnóstica e tratamento sistêmico.

Contexto Educacional

A Tinea corporis, popularmente conhecida como "impinge", é uma infecção fúngica superficial da pele causada por dermatófitos. Sua prevalência é alta, e a transmissão pode ocorrer por contato direto com pessoas infectadas, solo ou animais (zoonótica), como no caso apresentado. A suspeita clínica é fundamental, mas a confirmação laboratorial é crucial para um manejo adequado, especialmente em casos atípicos ou refratários. O diagnóstico da Tinea corporis baseia-se na apresentação clínica das lesões anulares eritematosas e descamativas. A história de contato com animais com lesões semelhantes reforça a suspeita de dermatofitose zoonótica. A confirmação é feita por exame micológico direto (KOH a 10%), que identifica hifas e esporos, ou cultura fúngica, que permite a identificação da espécie do dermatófito. O tratamento inicial pode ser tópico, mas em casos de falha terapêutica, lesões extensas, infecção por dermatófitos zoonóticos ou comprometimento de anexos (cabelo, unhas), o tratamento sistêmico é indicado. A terbinafina oral é uma excelente opção, com boa eficácia e perfil de segurança. É importante orientar o paciente sobre a duração do tratamento e a necessidade de tratar a fonte da infecção (animal de estimação) para evitar recidivas.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da Tinea corporis?

A Tinea corporis tipicamente se apresenta como lesões anulares eritematosas e descamativas, com bordas ativas e centro mais claro, causando prurido.

Por que o clotrimazol tópico pode não ser eficaz em alguns casos de Tinea corporis?

O clotrimazol tópico pode falhar em casos de infecções extensas, profundas, em pacientes imunocomprometidos ou quando a infecção é de origem zoonótica, necessitando de tratamento sistêmico.

Qual a importância da investigação laboratorial (KOH/cultura) na suspeita de Tinea?

A investigação laboratorial confirma o diagnóstico, identifica o agente etiológico e exclui outras condições dermatológicas, guiando o tratamento mais adequado e evitando o uso desnecessário de antifúngicos.

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