Tiflite Neutropênica: Diagnóstico e Manejo Urgente

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Criança de 6 anos, com diagnóstico recente de leucemia e cateter totalmente implantado para tratamento quimioterápico, é trazida para atendimento por seu responsável, pois apresentou um pico febril (38°C) e episódio de diarreia líquida. No relato, refere dor abdominal em cólica e nega uso de antibióticos, nos últimos dois meses. Ao exame físico, a criança está em regular estado geral, afebril, com FC = 120bpm, FR = 28ipm e dor à palpação profunda e superficial de abdômen. O hemograma mostra Hgb de 7,5g/dL, 300 leucócitos, com 10% de neutrófilos, 15 mil plaquetas. A tomografia de abdômen mostrou espessamento importante do ceco. Nesse momento, a principal hipótese diagnóstica e a conduta adequada, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) giardíase / iniciar secnidazol
  2. B) tiflite / iniciar piperacilina com tazobactam
  3. C) colite pseudomembranosa / iniciar vancomicina
  4. D) diarreia aguda viral / iniciar terapia de reposição hídrica

Pérola Clínica

Criança oncológica neutropênica + febre + dor abdominal + espessamento ceco = Tiflite → ATB amplo espectro.

Resumo-Chave

A tiflite (enterocolite neutropênica) é uma complicação grave em pacientes imunocomprometidos, especialmente com neutropenia profunda. A apresentação clássica inclui febre, dor abdominal e diarreia, com espessamento da parede do ceco na imagem. O tratamento é com antibióticos de amplo espectro.

Contexto Educacional

A tiflite, também conhecida como enterocolite neutropênica, é uma síndrome caracterizada por inflamação e necrose da parede do ceco, podendo se estender para o íleo terminal e cólon ascendente. É uma complicação grave e potencialmente fatal, especialmente comum em pacientes com neutropenia profunda e prolongada, como aqueles submetidos a quimioterapia para leucemias ou transplante de medula óssea. A incidência varia, mas é uma preocupação constante em oncologia pediátrica e de adultos devido à alta mortalidade se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve a combinação de neutropenia, dano à mucosa intestinal pela quimioterapia e proliferação bacteriana. Os sintomas incluem febre, dor abdominal (geralmente no quadrante inferior direito), diarreia, náuseas e vômitos. O diagnóstico é suspeitado clinicamente em pacientes de risco e confirmado por exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada de abdômen o método de escolha, que revela espessamento da parede do ceco. O hemograma tipicamente mostra neutropenia grave e trombocitopenia. O manejo da tiflite é uma emergência médica. A conduta inicial inclui internação hospitalar, suporte hemodinâmico, repouso intestinal, hidratação venosa e, crucialmente, antibioticoterapia empírica de amplo espectro. A escolha do antibiótico deve cobrir bactérias Gram-negativas (incluindo Pseudomonas aeruginosa), Gram-positivas e anaeróbias, sendo piperacilina-tazobactam ou um carbapenêmico opções comuns. A cirurgia é reservada para complicações como perfuração intestinal, hemorragia incontrolável ou necrose transmural. O prognóstico depende da gravidade da neutropenia e da prontidão do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para tiflite neutropênica?

Os principais fatores de risco incluem neutropenia profunda e prolongada, quimioterapia citotóxica, doenças hematológicas malignas (como leucemia) e transplante de medula óssea.

Como é feito o diagnóstico de tiflite?

O diagnóstico é clínico (febre, dor abdominal, diarreia em paciente neutropênico) e radiológico, com a tomografia de abdômen mostrando espessamento da parede do ceco e, por vezes, do íleo terminal e cólon ascendente.

Qual o tratamento inicial para tiflite neutropênica?

O tratamento inicial é clínico, com internação, suporte hemodinâmico, repouso intestinal, hidratação venosa e, crucialmente, antibioticoterapia empírica de amplo espectro que cubra gram-negativos (incluindo Pseudomonas), gram-positivos e anaeróbios, como piperacilina-tazobactam ou carbapenêmicos.

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