Tiflite em Neutropenia: Diagnóstico e Manejo Terapêutico

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 33 anos, internada na Hematologia há 2 meses por transplante de medula óssea, queixa-se de dor na fossa ilíaca direita há 2 dias, de intensidade crescente, associada a náuseas e febre. Está em regular estado geral. Pulso = 110bpm, rítmico; PA = 100x60mmHg. O abdome está um pouco distendido e está muito doloroso na fossa ilíaca direita, onde a descompressão brusca é positiva. Hemograma: hemoglobina = 7g/dL, leucócitos = 600/mm³, plaquetas = 48.000/mm³. A tomografia mostra espessamento concêntrico de todo o cólon direito, incluindo o apêndice; não tem líquido livre, nem pneumoperitônio. A conduta CORRETA diante do provável diagnóstico é realizar:

Alternativas

  1. A) Colectomia direita com ileostomia terminal.
  2. B) Colectomia direita com anastomose primária.
  3. C) Antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro.
  4. D) Pulsoterapia com corticoide.

Pérola Clínica

Tiflite (enterocolite neutropênica) em imunossuprimidos → ATB IV amplo espectro é conduta inicial.

Resumo-Chave

A tiflite é uma complicação grave em pacientes neutropênicos, caracterizada por inflamação do ceco e cólon ascendente. O tratamento inicial é conservador com antibioticoterapia de amplo espectro, hidratação e suporte, reservando a cirurgia para casos de perfuração, hemorragia incontrolável ou necrose.

Contexto Educacional

A tiflite, ou enterocolite neutropênica, é uma síndrome caracterizada por inflamação e necrose do ceco e cólon ascendente, que ocorre predominantemente em pacientes com neutropenia grave. É uma complicação comum e potencialmente fatal em pacientes submetidos a quimioterapia intensiva ou transplante de medula óssea, devido à imunossupressão e mucosite. O reconhecimento precoce é vital para um desfecho favorável. A fisiopatologia envolve a combinação de neutropenia, dano à mucosa intestinal (por quimioterapia ou isquemia) e proliferação bacteriana. Os sintomas incluem dor abdominal (geralmente na fossa ilíaca direita), febre, náuseas, vômitos e diarreia. O diagnóstico é clínico e radiológico, com tomografia computadorizada mostrando espessamento da parede do cólon direito. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente neutropênico com dor abdominal. O manejo inicial é conservador e agressivo, com antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro que cubra bactérias gram-negativas (incluindo Pseudomonas), gram-positivas e anaeróbios. O suporte hemodinâmico, repouso intestinal e hidratação são cruciais. A cirurgia é reservada para complicações como perfuração, hemorragia incontrolável ou necrose intestinal, devido ao alto risco cirúrgico em pacientes neutropênicos e trombocitopênicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para desenvolver tiflite?

Os principais fatores de risco são neutropenia grave e prolongada (comum em quimioterapia ou transplante de medula óssea), imunossupressão, e uso de certos medicamentos citotóxicos que danificam a mucosa intestinal.

Qual a abordagem terapêutica inicial para a tiflite?

O tratamento inicial é conservador, com antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro (cobrir gram-negativos, anaeróbios e Pseudomonas), suporte hemodinâmico, repouso intestinal e correção de distúrbios hidroeletrolíticos.

Quando a cirurgia é indicada na tiflite?

A cirurgia é reservada para complicações como perfuração intestinal, hemorragia gastrointestinal incontrolável, necrose intestinal ou falha do tratamento clínico após 48-72 horas, devido ao alto risco cirúrgico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo