SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um lactente de 3 meses de vida foi encaminhado à emergência com história de cianose progressiva há dois dias, associada a dispneia e irritabilidade. A mãe relatou que a criança mama com dificuldade e apresenta sudorese excessiva durante as mamadas. Ao exame físico, observaram-se cianose central (++/4+), hiperpneia, sopro sistólico rude em borda esternal esquerda e pulsos periféricos fracos. Foram verificados também FC = 180 bpm, PA = 80 mmHg X 50 mmHg e SatO2= 75% em ar ambiente. Qual é a conduta imediata mais adequada se o lactente do referido caso clínico apresentar piora da cianose e da dispneia?
Crise hipoxêmica → Posição genupeitoral (↑ RVS → ↓ shunt D-E → ↑ fluxo pulmonar).
A manobra aumenta a resistência vascular sistêmica, forçando o sangue a passar pela via de saída do ventrículo direito obstruída em direção aos pulmões.
A crise de cianose (ou 'spell') é uma emergência médica comum na Tetralogia de Fallot não corrigida. Ela é desencadeada por uma queda súbita na saturação de oxigênio, geralmente devido ao espasmo do infundíbulo pulmonar ou queda da resistência vascular sistêmica (choro, evacuação, febre). O ciclo vicioso de hipóxia, acidose e hiperpneia deve ser interrompido rapidamente. A posição genupeitoral é a primeira linha por ser não invasiva e fisiologicamente eficaz. O entendimento da dinâmica do shunt na CIV é fundamental para o manejo desses pacientes até a correção cirúrgica definitiva.
Ao dobrar as pernas sobre o abdome, ocorre uma compressão das artérias femorais, o que eleva agudamente a resistência vascular sistêmica (RVS). Como a Tetralogia de Fallot apresenta uma comunicação interventricular (CIV) e obstrução da saída do ventrículo direito, o aumento da RVS diminui o shunt da direita para a esquerda através da CIV, direcionando mais sangue para a artéria pulmonar e melhorando a oxigenação.
Além da posição genupeitoral, deve-se administrar oxigênio (embora o efeito seja limitado se o fluxo pulmonar estiver muito reduzido), oferecer sedação (morfina ajuda a reduzir o espasmo infundibular e a ansiedade) e realizar expansão volêmica. Em casos refratários, podem ser usados betabloqueadores (como propranolol EV) ou vasopressores (como fenilefrina).
Esses são sinais clássicos de insuficiência cardíaca ou hipoxemia crônica em cardiopatias congênitas. O esforço da sucção aumenta a demanda metabólica e pode desencadear ou agravar o shunt direita-esquerda, levando à exaustão e sudorese simpática compensatória.
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