USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Criança A tem o diagnóstico de Tetralogia de Fallot e após receber vacina de 2 meses, apresentou episódio de cianose severa que melhorou somente após o uso de morfina endovenosa. A criança manteve desvio de rima labial para esquerda após este evento. Criança B tem diagnóstico de coarctação de aorta e deu entrada em serviço de urgência com 2 meses de vida, apresentando vômitos e distensão abdominal severa e dolorosa. Precisou de cirurgia de ressecção de alça intestinal e ileostomia. Ambas as crianças evoluíram com complicações graves secundárias às suas cardiopatias congênitas, sendo que a criança A sofreu uma lesão cerebral e a criança B, uma lesão intestinal. Qual das alternativas apresenta as causas corretas para as complicações apresentadas?
Tetralogia de Fallot → Crise hipoxêmica → Lesão cerebral por hipoxemia. Coarctação de aorta → Hipoperfusão distal → Isquemia intestinal.
Na Tetralogia de Fallot, crises de cianose severa (crises hipoxêmicas) levam à hipoxemia cerebral, causando lesão neurológica. Na coarctação de aorta grave, a obstrução do fluxo sanguíneo pode causar hipoperfusão sistêmica distal à coarctação, resultando em isquemia de órgãos como o intestino, levando a enterocolite necrosante.
As cardiopatias congênitas podem levar a complicações graves se não forem diagnosticadas e manejadas adequadamente. A Tetralogia de Fallot e a Coarctação de Aorta são exemplos clássicos com fisiopatologias distintas que resultam em diferentes tipos de lesões orgânicas. Na Tetralogia de Fallot, a principal complicação aguda é a crise hipoxêmica (ou "spell" cianótico). Durante esses episódios, há um aumento súbito e severo do shunt da direita para a esquerda através da comunicação interventricular, resultando em hipoxemia sistêmica grave. A lesão cerebral observada na Criança A é uma consequência direta dessa hipoxemia prolongada e severa, que priva o cérebro de oxigênio adequado, levando a danos neurológicos. A morfina é utilizada para sedar a criança e quebrar o ciclo de taquipneia e irritabilidade que agrava a crise. A Coarctação de Aorta, por sua vez, é um estreitamento da aorta que impede o fluxo sanguíneo adequado para as regiões distais à obstrução. Em casos graves, como o da Criança B, a hipoperfusão sistêmica distal pode levar à isquemia de órgãos, incluindo o intestino. A isquemia intestinal pode manifestar-se como enterocolite necrosante, uma condição grave que requer intervenção cirúrgica, como a ressecção de alça intestinal e ileostomia. Portanto, a lesão intestinal é causada por isquemia devido à falta de fluxo sanguíneo adequado.
Uma crise hipoxêmica, ou 'spell' cianótico, na Tetralogia de Fallot é um episódio de cianose súbita e intensa devido a um aumento do shunt da direita para a esquerda. Isso leva a uma diminuição drástica do fluxo sanguíneo pulmonar e da oxigenação, resultando em hipoxemia cerebral grave que pode causar lesão neurológica.
A coarctação de aorta é um estreitamento da aorta que restringe o fluxo sanguíneo para as partes do corpo distal à obstrução. Isso pode causar hipoperfusão e isquemia em órgãos como o intestino, especialmente em lactentes, levando a condições graves como enterocolite necrosante.
O tratamento inicial de uma crise hipoxêmica inclui posicionamento (joelhos ao peito), oxigênio, sedação (morfina), e, se necessário, fluidos intravenosos e vasopressores para aumentar a resistência vascular sistêmica e reduzir o shunt da direita para a esquerda. Beta-bloqueadores também podem ser usados.
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