Tetralogia de Fallot: Diagnóstico em Lactentes Cianóticos

PMC - Prefeitura Municipal de Curitiba / SMS (PR) — Prova 2021

Enunciado

Lactente, três meses, é levado à emergência por estar ''roxo''. Exame físico: Sat 02: 80%, FR: 40irpm, FC:130 bpm. Sopro sistólico +++NI em bordo esternal esquerdo no 2° e 3° espaço intercostais. Pulsos: amplitude normal e simétricos. RX de tórax: redução do fluxo pulmonar. A cardiopatia congênita compatível com o quadro clínico descrito é:

Alternativas

  1. A) Tetralogia de Fallot.
  2. B) Estenose pulmonar valvar.
  3. C) Transposição das grandes artérias com CIV.
  4. D) Síndrome de hipoplasia do ventrículo esquerdo.
  5. E) Tronco arterioso.

Pérola Clínica

Lactente cianótico + sopro sistólico + RX tórax com ↓ fluxo pulmonar → Tetralogia de Fallot.

Resumo-Chave

A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum após o período neonatal. O quadro clínico clássico inclui cianose, sopro sistólico e, no RX de tórax, a imagem de "coração em bota" com redução do fluxo pulmonar, devido à estenose pulmonar, que é o principal determinante da gravidade da cianose.

Contexto Educacional

A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais frequente após o período neonatal, caracterizada por quatro defeitos anatômicos: estenose pulmonar (subvalvar, valvar ou supravalvar), comunicação interventricular (CIV) grande, dextroposição da aorta (aorta "cavalgando" o septo interventricular) e hipertrofia do ventrículo direito. A fisiopatologia central envolve a estenose pulmonar, que restringe o fluxo sanguíneo para os pulmões e causa um shunt da direita para a esquerda através da CIV, levando à cianose. O quadro clínico típico em lactentes inclui cianose progressiva, sopro sistólico ejetivo em bordo esternal esquerdo (relacionado à estenose pulmonar), e crises de hipóxia (crises de Fallot). O exame físico revela cianose e o sopro característico. O eletrocardiograma pode mostrar hipertrofia ventricular direita. O raio-X de tórax classicamente apresenta a imagem de "coração em bota" (devido à hipertrofia do ventrículo direito e concavidade da artéria pulmonar) e, crucialmente, redução do fluxo pulmonar, que é um achado chave para diferenciar de outras cardiopatias cianóticas. O ecocardiograma é o método diagnóstico definitivo, delineando a anatomia dos defeitos. O tratamento é cirúrgico, geralmente realizado entre 3 e 6 meses de idade, visando corrigir os defeitos e aliviar a estenose pulmonar. O manejo das crises de hipóxia é uma emergência pediátrica que requer intervenção rápida para evitar danos cerebrais.

Perguntas Frequentes

Quais são os quatro defeitos da Tetralogia de Fallot?

Os quatro defeitos são: estenose da via de saída do ventrículo direito (estenose pulmonar), comunicação interventricular (CIV), dextroposição da aorta (aorta cavalgando o septo interventricular) e hipertrofia do ventrículo direito.

Como a estenose pulmonar afeta a cianose na Tetralogia de Fallot?

A estenose pulmonar é o principal determinante da gravidade da cianose. Quanto mais grave a estenose, maior a resistência ao fluxo sanguíneo para os pulmões, resultando em maior desvio de sangue desoxigenado do ventrículo direito para a aorta através da CIV, e consequentemente, maior cianose.

Quais são as crises de hipóxia (crises de Fallot) e como são manejadas?

As crises de hipóxia são episódios de cianose súbita e intensa, irritabilidade e taquipneia, causadas por espasmo da via de saída do ventrículo direito. O manejo inclui posicionamento joelho-tórax, oxigênio, morfina, beta-bloqueadores (propranolol) e, em casos refratários, fenilefrina.

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