Tetralogia de Fallot: Fisiopatologia e Manifestações Clínicas

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Lactente, com diagnóstico de Tetralogia de Fallot, apresenta cianose mínima. Evoluiu com febre, tosse e subitamente apresentou cianose intensa. Baseando-se nas características fisiológicas da Tetralogia de Fallot, as manifestações clínicas dependem, principalmente, da(do)

Alternativas

  1. A) Obstrução da via de saída do ventrículo direito.
  2. B) Comunicação interventricular.
  3. C) Cavalgamento da aorta.
  4. D) Comunicação interatrial.
  5. E) Persistência do canal arterial.

Pérola Clínica

Gravidade da Tetralogia de Fallot ∝ Grau de obstrução da via de saída do VD.

Resumo-Chave

A fisiopatologia da Fallot é ditada pela resistência ao fluxo pulmonar; quanto maior a obstrução subpulmonar, maior o shunt D-E pela CIV e mais intensa a cianose.

Contexto Educacional

A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum após o primeiro ano de vida. Sua hemodinâmica é caracterizada por uma CIV não restritiva, o que equaliza as pressões sistólicas entre os ventrículos. Consequentemente, a direção do fluxo sanguíneo (shunt) depende exclusivamente da relação entre a resistência vascular sistêmica e a resistência oferecida pela estenose pulmonar. Clinicamente, o paciente pode apresentar desde cianose mínima ('Fallot acianótico') até hipoxemia grave. O sopro característico é de ejeção pulmonar, e curiosamente, durante as crises hipercianóticas, o sopro pode diminuir ou desaparecer, indicando fluxo pulmonar quase nulo. O reconhecimento da obstrução da via de saída do VD como o fator limitante é essencial para entender por que intervenções que aumentam a pós-carga sistêmica melhoram a oxigenação.

Perguntas Frequentes

Quais são os quatro componentes da Tetralogia de Fallot?

A Tetralogia de Fallot é composta por: 1) Comunicação Interventricular (CIV) ampla; 2) Obstrução da via de saída do ventrículo direito (estenose subpulmonar/infundibular); 3) Cavalgamento da aorta sobre o septo interventricular (menos de 50%); e 4) Hipertrofia do ventrículo direito. Destes, o grau de obstrução da via de saída do VD é o componente dinâmico e principal determinante da gravidade clínica e do grau de hipoxemia do paciente.

O que causa a crise hipercianótica?

A crise hipercianótica (ou 'spell') ocorre devido a um desequilíbrio súbito entre a resistência vascular sistêmica (RVS) e a resistência da via de saída do ventrículo direito. Fatores que diminuem a RVS (como febre, dor, choro ou desidratação) ou aumentam o espasmo infundibular pulmonar favorecem o shunt da direita para a esquerda através da CIV. Isso reduz drasticamente o fluxo sanguíneo pulmonar, levando a hipoxemia grave, acidose e aumento da cianose, criando um ciclo vicioso que exige intervenção imediata.

Qual o manejo imediato da crise de cianose?

O manejo foca em aumentar a RVS e diminuir a obstrução pulmonar. As medidas incluem: 1) Posição genupeitoral (joelho-tórax) para aumentar a RVS por angulação das artérias femorais; 2) Oxigenoterapia (embora o problema seja de fluxo, não de troca); 3) Morfina para acalmar a criança e reduzir o espasmo infundibular; 4) Expansão volêmica; e 5) Beta-bloqueadores (Esmolol) para relaxar a musculatura infundibular. Se refratário, pode-se usar vasopressores como a fenilefrina.

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