SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
O tratamento inicial para uma criança diagnosticada com tetralogia de Fallot é feito com:
ToF com hipofluxo pulmonar grave → Prostaglandina E1 para manter canal arterial pérvio.
Em neonatos com Tetralogia de Fallot e cianose grave, a manutenção da patência do canal arterial via Prostaglandina E1 é vital para garantir o fluxo sanguíneo pulmonar e a oxigenação sistêmica.
A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum após o primeiro ano de vida, caracterizada por comunicação interventricular (CIV), estenose pulmonar (geralmente infundibular), dextroposição da aorta (cavalgamento) e hipertrofia do ventrículo direito. A gravidade da apresentação clínica depende fundamentalmente do grau de obstrução da via de saída do ventrículo direito (VSVD). Nos casos onde a obstrução é crítica, o recém-nascido apresenta cianose progressiva logo após o nascimento, à medida que o canal arterial se fecha fisiologicamente. Nestas situações, a estabilização hemodinâmica imediata requer a manutenção farmacológica do canal arterial. A Prostaglandina E1 é o padrão-ouro, servindo como ponte para o tratamento cirúrgico paliativo ou definitivo, garantindo a sobrevivência neonatal imediata.
A Prostaglandina E1 (Alprostadil) atua relaxando a musculatura lisa do ductus arteriosus (canal arterial), mantendo-o pérvio ou reabrindo-o. Em cardiopatias como a Tetralogia de Fallot com estenose pulmonar grave ou atresia, o fluxo sanguíneo para os pulmões depende quase inteiramente da comunicação entre a aorta e a artéria pulmonar através do canal arterial. Ao garantir essa patência, a PGE1 permite que o sangue sistêmico alcance a circulação pulmonar para ser oxigenado, estabilizando o recém-nascido até que uma intervenção cirúrgica (como o shunt de Blalock-Taussig ou correção definitiva) possa ser realizada.
O efeito colateral mais crítico e frequente da infusão de Prostaglandina E1 em neonatos é a apneia, ocorrendo em cerca de 10-12% dos casos, o que exige vigilância respiratória constante e, muitas vezes, intubação orotraqueal preventiva. Outros efeitos comuns incluem febre (devido à ação no centro termorregulador), vasodilatação periférica com hipotensão, rubor facial, irritabilidade e, em usos prolongados, alterações ósseas como a hiperostose cortical. O monitoramento hemodinâmico e respiratório rigoroso é obrigatório durante a administração contínua em ambiente de UTI neonatal.
Não há contraindicações absolutas em cenários de emergência onde a sobrevivência depende da patência do canal. No entanto, em casos de Tetralogia de Fallot 'rosada' (onde a estenose pulmonar é leve e o fluxo pulmonar é adequado), a PGE1 não é necessária. O uso deve ser cauteloso em pacientes com distúrbios hemorrágicos pré-existentes devido ao efeito antiagregante plaquetário das prostaglandinas. O foco principal deve ser a avaliação da dependência do fluxo pulmonar; se o paciente mantém saturações adequadas sem sinais de hipofluxo grave, a conduta pode ser expectante até a cirurgia eletiva.
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