SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2021
Lactente de 9 meses é trazido na UBS por apresentar respiração rápida e episódios em que fica ''roxinho'' quando faz esforço. A mãe trouxe uma radiografia de tórax realizada recentemente devido a quadro de pneumonia. Informa ter feito lítio na gestação. A radiografia apresenta diminuição da área cardíaca, lembrando um tamanco holandês e presença de hipofluxo pulmonar. Qual é a condição compatível com as informações e o resultado da radiografia?
Tetralogia de Fallot: cianose de esforço + RX tórax 'tamanco holandês' + hipofluxo pulmonar.
A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum após o primeiro ano de vida, caracterizada por estenose pulmonar, CIV, dextroposição da aorta e hipertrofia de VD. A imagem de 'tamanco holandês' no RX é clássica devido à hipertrofia do VD e hipoplasia da artéria pulmonar.
A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum, representando cerca de 7-10% de todas as cardiopatias congênitas. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce e intervenção cirúrgica para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes, prevenindo complicações como acidentes vasculares cerebrais e endocardite infecciosa. A história de uso de lítio na gestação é um fator de risco conhecido para anomalias cardíacas, incluindo a anomalia de Ebstein, mas a descrição radiográfica e clínica aponta para Fallot neste caso. A fisiopatologia da Tetralogia de Fallot é complexa e envolve a interação dos quatro defeitos anatômicos. A estenose pulmonar é o principal determinante da gravidade da cianose, pois restringe o fluxo sanguíneo para os pulmões, desviando o sangue desoxigenado através da CIV para a aorta. O diagnóstico é suspeitado clinicamente pela cianose, sopro cardíaco e crises de hipóxia, e confirmado por ecocardiograma. A radiografia de tórax, com o clássico 'coração em tamanco holandês' e hipofluxo pulmonar, é um achado importante que corrobora a suspeita diagnóstica. O tratamento definitivo da Tetralogia de Fallot é cirúrgico, geralmente realizado entre 3 e 12 meses de idade, dependendo da gravidade dos sintomas. A cirurgia corretiva visa aliviar a estenose pulmonar e fechar a CIV. O prognóstico pós-cirúrgico é geralmente bom, mas os pacientes requerem acompanhamento cardiológico por toda a vida para monitorar possíveis complicações como arritmias, insuficiência pulmonar e disfunção ventricular.
A Tetralogia de Fallot é composta por estenose pulmonar, comunicação interventricular (CIV), dextroposição da aorta (ou cavalgamento da aorta) e hipertrofia ventricular direita.
O 'tamanco holandês' é um sinal radiográfico clássico da Tetralogia de Fallot, indicando hipertrofia do ventrículo direito e hipoplasia do tronco da artéria pulmonar, resultando em uma área cardíaca com ápice elevado e concavidade no segmento da artéria pulmonar.
Lactentes com Tetralogia de Fallot frequentemente apresentam cianose, que pode ser intermitente ou progressiva, dispneia, crises de hipóxia (crises de cianose) e sopro cardíaco sistólico ejetivo.
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