ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um lactente de 2 meses se submete a radiografia de tórax para avaliar quadro de cansaço com crises de cianose. O laudo do exame descreve coração com formato de "tamanco holandês". O médico conclui, corretamente, que o paciente apresenta:
Tamanco holandês (coeur en sabot) → Tetralogia de Fallot (HVD + ponta elevada).
O formato clássico de 'tamanco holandês' no RX de tórax é causado pela hipertrofia do ventrículo direito que eleva o ápice cardíaco, associada a uma artéria pulmonar hipoplásica.
A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum após o primeiro ano de vida. A fisiopatologia é dominada pelo grau de obstrução da via de saída do ventrículo direito. Se a obstrução for leve, o shunt pode ser esquerda-direita ('Fallot acianótico'); se grave, o shunt é direita-esquerda, levando à cianose. Radiologicamente, além do formato do coração, observa-se frequentemente uma trama vascular pulmonar reduzida (hipofluxo pulmonar). O diagnóstico definitivo é realizado pelo ecocardiograma com Doppler, que mapeia a anatomia e quantifica os gradientes pressóricos. O tratamento definitivo é cirúrgico, geralmente realizado no primeiro ano de vida.
A Tetralogia de Fallot é composta por quatro anomalias anatômicas: 1) Comunicação Interventricular (CIV) ampla; 2) Estenose infundibular pulmonar (obstrução da via de saída do VD); 3) Dextroposição da aorta (aorta em cavaleiro sobre a CIV); 4) Hipertrofia do ventrículo direito (HVD) secundária à obstrução.
O formato de 'tamanco holandês' ou 'coeur en sabot' ocorre devido à combinação de dois fatores radiológicos: a hipertrofia acentuada do ventrículo direito, que empurra o ápice cardíaco para cima e para fora, e a concavidade do segmento da artéria pulmonar (devido à hipoplasia ou estenose pulmonar), criando uma 'cintura' no mediastino.
As crises de cianose (ou crises hipercianóticas) ocorrem por um aumento súbito do shunt direita-esquerda, geralmente devido ao espasmo do infundíbulo pulmonar ou queda da resistência vascular sistêmica. São emergências médicas tratadas com posição genupeitoral, oxigênio e, por vezes, betabloqueadores ou morfina.
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