SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
Leia o caso a seguir. Um bebê foi diagnosticado com tetralogia de Fallot após o nascimento. Esta é uma cardiopatia com:
Fallot com obstrução grave → fluxo pulmonar canal-dependente (necessita de ductus arteriosus para oxigenação).
Na Tetralogia de Fallot com estenose pulmonar crítica ou atresia, a sobrevivência neonatal depende da patência do canal arterial para garantir o fluxo de sangue aos pulmões.
A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum após o primeiro ano de vida, mas sua apresentação neonatal pode ser crítica. A fisiopatologia baseia-se no desvio anterior do septo infundibular, que causa a estenose pulmonar e a CIV. Em casos de obstrução extrema, a circulação pulmonar torna-se dependente do canal arterial. Clinicamente, esses pacientes podem não apresentar sopros intensos se a estenose for total (atresia), dependendo exclusivamente do fluxo via canal. O reconhecimento precoce da dependência do canal é vital para evitar o choque hipoxêmico e a acidose metabólica grave após o fechamento ductal fisiológico.
O fluxo pulmonar canal-dependente ocorre quando a obstrução da via de saída do ventrículo direito (estenose pulmonar) é tão severa que o fluxo sanguíneo anterógrado para os pulmões é insuficiente para manter a saturação de oxigênio adequada. Nesses casos, o sangue deve chegar aos pulmões através do canal arterial (ductus arteriosus), que conecta a aorta à artéria pulmonar. Se o canal se fecha fisiologicamente após o nascimento, o recém-nascido apresenta cianose progressiva e hipóxia grave, exigindo a manutenção da patência do canal com infusão de Prostaglandina E1 (Alprostadil) até a intervenção cirúrgica.
A Tetralogia de Fallot é composta por: 1) Comunicação Interventricular (CIV) ampla; 2) Estenose pulmonar (obstrução da via de saída do ventrículo direito); 3) Dextroposição da aorta (aorta 'encavalada' sobre o septo ventricular); e 4) Hipertrofia do ventrículo direito. A gravidade da apresentação clínica é determinada principalmente pelo grau de estenose pulmonar. Quanto maior a obstrução, maior o shunt de sangue desoxigenado da direita para a esquerda através da CIV, resultando em maior cianose.
O manejo inicial foca na manutenção da estabilidade hemodinâmica e oxigenação. A prioridade é manter o canal arterial aberto através da infusão contínua de Prostaglandina E1 (PGE1). Deve-se evitar o uso de oxigênio em altas concentrações, pois o O2 é um potente constritor do canal arterial. O monitoramento rigoroso da saturação (alvo geralmente entre 75-85%) e do equilíbrio ácido-básico é essencial. O tratamento definitivo ou paliativo (como o shunt de Blalock-Taussig-Thomas) deve ser planejado precocemente pela equipe de cardiologia e cirurgia cardíaca pediátrica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo