CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2021
Com relação ao uso sistêmico de tetraciclina e derivados para o tratamento das doenças oculares, é correto afirmar:
Doxiciclina: absorção NÃO alterada por alimentos; contraindicada em gestantes e crianças < 8 anos.
Diferente da tetraciclina de primeira geração, a doxiciclina possui melhor perfil farmacocinético, permitindo ingestão com alimentos sem perda significativa de biodisponibilidade.
As tetraciclinas são antibióticos bacteriostáticos que inibem a síntese proteica bacteriana ao se ligarem à subunidade 30S do ribossomo. Na oftalmologia, além do efeito antimicrobiano contra Chlamydia trachomatis (tracoma), são amplamente utilizadas por suas propriedades anti-inflamatórias e inibidoras de metaloproteinases. A doxiciclina e a minociclina são derivados sintéticos de segunda geração com maior lipossolubilidade. A doxiciclina destaca-se por não ter sua absorção afetada por laticínios ou alimentos, facilitando a adesão ao tratamento em condições crônicas como a rosácea ocular e a disfunção das glândulas de Meibomius. É fundamental lembrar que a minociclina está associada a efeitos colaterais específicos, como pigmentação cutânea e escleral, além de quadros de pseudotumor cerebral.
A doxiciclina é preferida devido à sua posologia mais cômoda (geralmente 1 a 2 vezes ao dia) e ao fato de sua absorção não ser significativamente prejudicada pela ingestão de alimentos. A tetraciclina clássica exige múltiplas doses diárias e deve ser tomada em jejum, pois se liga a íons como cálcio e magnésio, o que reduz sua eficácia. Além disso, a doxiciclina apresenta menos efeitos colaterais gastrointestinais e melhor penetração tecidual.
As tetraciclinas são contraindicadas em gestantes (atravessam a barreira placentária), lactantes e crianças menores de 8 a 10 anos. Isso ocorre devido à sua afinidade pelo tecido ósseo e dental em formação, podendo causar hipoplasia do esmalte dentário, pigmentação permanente dos dentes e atraso no crescimento ósseo linear.
As tetraciclinas, especialmente a doxiciclina, possuem um efeito não antibiótico importante: a inibição das metaloproteinases de matriz (MMPs). Em úlceras de córnea graves com risco de 'melting' (derretimento estromal), o uso sistêmico é indicado justamente para reduzir a atividade colagenolítica e prevenir a perfuração ocular, ao contrário do que sugere o erro comum de contraindicação.
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