CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
O teste de Zappia-Milder, utilizado na propedêutica das vias lacrimais, avalia:
Zappia-Milder = Tempo de desaparecimento da fluoresceína no fundo de saco inferior.
O teste de Zappia-Milder avalia a depuração lacrimal fisiológica observando a retenção de corante no menisco lacrimal após 5 minutos, indicando obstruções funcionais ou anatômicas.
A avaliação da epífora (lacrimejamento excessivo) é um desafio comum na prática oftalmológica. O teste de Zappia-Milder destaca-se como uma ferramenta semiológica simples e eficaz para diferenciar o excesso de produção lacrimal da deficiência de drenagem. Na prática clínica, a integração deste teste com a anamnese e o exame físico das pálpebras permite ao médico direcionar o tratamento, seja ele clínico para doenças da superfície ocular ou cirúrgico para desobstrução das vias excretoras. A compreensão da dinâmica lacrimal é essencial para residentes de oftalmologia e otorrinolaringologia.
O teste consiste na instilação de uma gota de fluoresceína a 2% no fundo de saco conjuntival inferior de ambos os olhos. O examinador observa o menisco lacrimal após 5 minutos sob luz azul de cobalto na lâmpada de fenda. Em condições normais, o corante deve ser drenado quase totalmente, restando apenas uma linha tênue. A persistência de uma quantidade significativa de corante sugere uma falha no sistema de drenagem lacrimal, seja por obstrução anatômica ou por falha na bomba lacrimal (obstrução funcional).
Embora ambos utilizem fluoresceína, o teste de Zappia-Milder é um teste de 'desaparecimento' ou 'depuração' (dye disappearance test), focado na observação da superfície ocular. Já o teste de Jones I é um teste de 'recuperação', onde se tenta recuperar o corante na fossa nasal (meato inferior) com um swab de algodão. O Zappia-Milder é frequentemente preferido na triagem inicial, especialmente em crianças, por ser menos invasivo e não exigir manipulação nasal imediata.
Um teste positivo (ou seja, retenção prolongada do corante no fundo de saco) indica que a drenagem lacrimal está comprometida. Isso pode ocorrer por obstruções anatômicas em qualquer ponto da via (pontos lacrimais, canalículos, saco lacrimal ou ducto nasolacrimal) ou por uma disfunção da bomba lacrimal, comum em casos de ectrópio ou frouxidão palpebral. É um teste de alta sensibilidade para identificar pacientes que necessitam de investigação mais profunda, como a dacrocistografia ou o teste de Jones II.
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