Vaginose Bacteriana: Teste de Whiff e KOH no Diagnóstico

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 23 anos, solteira, namorado fixo há 1 ano, apresentando queixa de corrimento amarelado com odor desagradável. O ginecologista colhe material de secreção vaginal e adiciona uma substância que provoca liberação de odor de peixe podre. Essa substância é:

Alternativas

  1. A) ácido clorídrico.
  2. B) ácido bórico.
  3. C) hidróxido de potássio.
  4. D) hidróxido de zinco.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana: Teste de Whiff (+) com KOH 10% → odor de peixe podre.

Resumo-Chave

O teste de Whiff é um método rápido e simples para auxiliar no diagnóstico de vaginose bacteriana. A adição de hidróxido de potássio (KOH) a 10% à secreção vaginal libera aminas voláteis produzidas por bactérias anaeróbias, resultando no característico odor de peixe podre. Este é um dos critérios de Amsel para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com diminuição dos lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias. Sua importância clínica reside não apenas no desconforto dos sintomas, mas também no aumento do risco de complicações obstétricas e ginecológicas, como parto prematuro, endometrite pós-parto e doença inflamatória pélvica. A fisiopatologia da VB envolve a substituição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio por uma flora polimicrobiana, incluindo Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis e outras bactérias anaeróbias. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Amsel, que incluem corrimento homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de Whiff positivo e presença de clue cells. O teste de Whiff é realizado adicionando-se uma gota de hidróxido de potássio (KOH) a 10% à secreção vaginal, o que libera aminas voláteis e produz o odor característico de peixe podre. O tratamento da vaginose bacteriana geralmente envolve antibióticos como metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (oral ou tópico). É fundamental orientar a paciente sobre a importância da adesão ao tratamento e, em casos de recorrência, considerar estratégias de manejo a longo prazo. A compreensão dos métodos diagnósticos, como o teste de Whiff, é crucial para a prática clínica e para a preparação para provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel para o diagnóstico de vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo e branco-acinzentado, pH vaginal > 4,5, teste de Whiff positivo (odor de peixe podre com KOH) e presença de clue cells no microscópio. São necessários pelo menos três dos quatro critérios.

Por que o hidróxido de potássio (KOH) é usado no teste de Whiff?

O KOH é uma base forte que, ao ser adicionada à secreção vaginal, alcaliniza o meio e volatiliza as aminas produzidas por bactérias anaeróbias, como a Gardnerella vaginalis, resultando no odor característico de peixe podre.

Qual a importância do pH vaginal no diagnóstico de vaginose bacteriana?

O pH vaginal elevado (> 4,5) é um dos critérios diagnósticos da vaginose bacteriana. Isso ocorre devido à diminuição dos lactobacilos (produtores de ácido lático) e ao aumento das bactérias anaeróbias, que elevam o pH.

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