Teste de Kleihauer-Betke: Detecção de Hemorragia Fetomaterna

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

R. S. T., 25 anos, tercigesta, Rh(D) negativo, atualmente na 32ª semana, com antecedentes obstétricos de parto normal de termo e aborto na 12ª semana de gestação; foi realizada, profilaticamente, a imunoglobulina anti-D. Durante este pré-natal teve todos os Teste de Coombs indiretos negativos. Após sofrer acidente de trânsito, procurou imediatamente a Maternidade e, mesmo sem sangramento uterino presente, foi realizado o Teste de Kleihauer, que foi positivo. Esse teste corresponde à presença:

Alternativas

  1. A) de hemólise fetal.
  2. B) e a quantidade de anticorpos anti-D na circulação materna.
  3. C) de hemácia materna na circulação fetal.
  4. D) e a quantidade de anticorpos anti-D na circulação fetal.
  5. E) de hemácia fetal na circulação materna.

Pérola Clínica

Kleihauer-Betke detecta hemácias fetais na circulação materna, quantificando hemorragia fetomaterna para dose anti-D.

Resumo-Chave

O teste de Kleihauer-Betke é crucial para quantificar a hemorragia fetomaterna, especialmente após traumas ou em gestantes Rh negativo, mesmo com Coombs indireto negativo. Isso permite calcular a dose adequada de imunoglobulina anti-D para prevenir a sensibilização materna.

Contexto Educacional

O teste de Kleihauer-Betke é um método laboratorial essencial na obstetrícia para detectar e quantificar a presença de hemácias fetais na circulação materna. Sua principal aplicação é na avaliação de gestantes Rh(D) negativo que sofreram algum evento com risco de hemorragia fetomaterna, como trauma abdominal, descolamento prematuro de placenta, aborto, ou procedimentos invasivos, visando a profilaxia adequada da isoimunização Rh. A fisiopatologia da isoimunização Rh ocorre quando hemácias fetais Rh(D) positivo entram na circulação de uma mãe Rh(D) negativo, levando à produção de anticorpos maternos anti-D. O Coombs indireto detecta esses anticorpos maternos, mas pode ser negativo em casos de hemorragia recente, antes da sensibilização. O Kleihauer-Betke, ao identificar as hemácias fetais (que contêm hemoglobina F, mais resistente à eluição ácida que a hemoglobina A materna), permite quantificar o volume de sangue fetal que passou para a mãe, sendo crucial para calcular a dose de imunoglobulina anti-D necessária para neutralizar as hemácias fetais e prevenir a sensibilização. A conduta após um Kleihauer-Betke positivo em gestante Rh(D) negativo é administrar a imunoglobulina anti-D. A dose padrão é de 300 mcg, que neutraliza aproximadamente 30 mL de sangue fetal (ou 15 mL de hemácias fetais). Se o teste indicar uma hemorragia maior, doses adicionais devem ser administradas. A profilaxia é vital para prevenir a doença hemolítica do recém-nascido em gestações futuras.

Perguntas Frequentes

Qual a finalidade do teste de Kleihauer-Betke na gestação?

O teste de Kleihauer-Betke tem como finalidade detectar e quantificar a presença de hemácias fetais na circulação materna, sendo crucial para estimar o volume de hemorragia fetomaterna.

Quando o teste de Kleihauer-Betke deve ser realizado?

Deve ser realizado em gestantes Rh(D) negativo após eventos com risco de hemorragia fetomaterna, como trauma abdominal, descolamento de placenta, aborto, ou procedimentos invasivos, para determinar a dose de imunoglobulina anti-D.

Qual a diferença entre o teste de Kleihauer-Betke e o Coombs indireto?

O Kleihauer-Betke detecta hemácias fetais no sangue materno, enquanto o Coombs indireto detecta anticorpos anti-D maternos. Ambos são importantes na avaliação da isoimunização Rh, mas com objetivos distintos.

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