Teste da Hiperóxia na Avaliação da Cianose Neonatal

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Um recém-nascido do sexo feminino, com 2 dias de vida, nascido a termo, com 2.300 g, apresenta sopro sistólico e cianose de extremidades ao choro. Qual a medida propedêutica que afasta a maior parte das doenças cardíacas cianóticas?

Alternativas

  1. A) Teste de hiperventilação.
  2. B) Teste de hipoventilação.
  3. C) Gasometria venosa.
  4. D) Oximetria de pulso.
  5. E) Teste da hiperoxia.

Pérola Clínica

Teste da hiperóxia: PaO2 < 150 mmHg após O2 100% → sugere etiologia cardíaca.

Resumo-Chave

O teste da hiperóxia diferencia causas pulmonares (onde a PaO2 sobe significativamente) de causas cardíacas com shunt direita-esquerda (onde a PaO2 permanece baixa).

Contexto Educacional

A avaliação da cianose no período neonatal é um desafio crítico. A diferenciação entre doença parenquimatosa pulmonar e cardiopatia congênita dependente de canal ou com shunt direita-esquerda é vital para o manejo imediato, incluindo o uso de prostaglandina E1. O teste da hiperóxia, embora menos utilizado hoje devido à disponibilidade do ecocardiograma à beira-leito, permanece um conceito fisiopatológico fundamental em provas de residência. Ele demonstra a incapacidade de oxigenação do sangue que desvia da circulação pulmonar, um marco das cardiopatias cianóticas como Transposição das Grandes Artérias e Tetralogia de Fallot.

Perguntas Frequentes

Como é realizado o teste da hiperóxia?

O teste consiste na administração de oxigênio a 100% (fração inspirada de O2 de 1,0) por cerca de 10 a 20 minutos. Após esse período, realiza-se uma gasometria arterial para medir a pressão parcial de oxigênio (PaO2). Em pulmões normais, a PaO2 deve subir para valores acima de 250-300 mmHg. Se a PaO2 permanecer baixa, sugere-se um shunt intracardíaco ou extracardíaco.

Qual o critério para considerar o teste da hiperóxia positivo para cardiopatia?

Um teste é considerado sugestivo de cardiopatia congênita cianótica quando a PaO2 não ultrapassa 150 mmHg após a oferta de O2 a 100%. Se a PaO2 ficar entre 150 e 250 mmHg, o resultado é duvidoso. Valores acima de 250 mmHg geralmente excluem shunts significativos da direita para a esquerda, apontando para causas pulmonares de hipóxia.

Por que o oxigênio não aumenta a PaO2 em cardiopatias cianóticas?

Nas cardiopatias cianóticas, existe um shunt anatômico da direita para a esquerda (sangue venoso misturando-se ao arterial sem passar pelos alvéolos). Como o sangue desviado nunca entra em contato com o oxigênio alveolar, aumentar a concentração de O2 nos alvéolos não consegue oxigenar essa parcela do débito cardíaco, mantendo a hipoxemia sistêmica.

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