INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um recém-nascido do sexo feminino, com 2 dias de vida, nascido a termo, com 2.300 g, apresenta sopro sistólico e cianose de extremidades ao choro. Qual a medida propedêutica que afasta a maior parte das doenças cardíacas cianóticas?
Teste da hiperóxia: PaO2 < 150 mmHg após O2 100% → sugere etiologia cardíaca.
O teste da hiperóxia diferencia causas pulmonares (onde a PaO2 sobe significativamente) de causas cardíacas com shunt direita-esquerda (onde a PaO2 permanece baixa).
A avaliação da cianose no período neonatal é um desafio crítico. A diferenciação entre doença parenquimatosa pulmonar e cardiopatia congênita dependente de canal ou com shunt direita-esquerda é vital para o manejo imediato, incluindo o uso de prostaglandina E1. O teste da hiperóxia, embora menos utilizado hoje devido à disponibilidade do ecocardiograma à beira-leito, permanece um conceito fisiopatológico fundamental em provas de residência. Ele demonstra a incapacidade de oxigenação do sangue que desvia da circulação pulmonar, um marco das cardiopatias cianóticas como Transposição das Grandes Artérias e Tetralogia de Fallot.
O teste consiste na administração de oxigênio a 100% (fração inspirada de O2 de 1,0) por cerca de 10 a 20 minutos. Após esse período, realiza-se uma gasometria arterial para medir a pressão parcial de oxigênio (PaO2). Em pulmões normais, a PaO2 deve subir para valores acima de 250-300 mmHg. Se a PaO2 permanecer baixa, sugere-se um shunt intracardíaco ou extracardíaco.
Um teste é considerado sugestivo de cardiopatia congênita cianótica quando a PaO2 não ultrapassa 150 mmHg após a oferta de O2 a 100%. Se a PaO2 ficar entre 150 e 250 mmHg, o resultado é duvidoso. Valores acima de 250 mmHg geralmente excluem shunts significativos da direita para a esquerda, apontando para causas pulmonares de hipóxia.
Nas cardiopatias cianóticas, existe um shunt anatômico da direita para a esquerda (sangue venoso misturando-se ao arterial sem passar pelos alvéolos). Como o sangue desviado nunca entra em contato com o oxigênio alveolar, aumentar a concentração de O2 nos alvéolos não consegue oxigenar essa parcela do débito cardíaco, mantendo a hipoxemia sistêmica.
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