SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Considere os seguintes pacientes que foram atendidos no ambulatório: I) Homem, 51 anos, hipertenso, tabagista, com dor torácica prolongada em repouso e eletrocardiograma (ECG) com alterações dinâmicas da repolarização ventricular (infradesnível de segmento ST); II) Mulher, 55 anos, diabética e dislipidêmica, não tabagista, referindo dor retroesternal, de curta duração durante o esforço físico, que alivia rapidamente quando faz repouso. III) Mulher, 63 anos, hipertensa, não tabagista, submetida a angioplastia coronária há quatro meses e com reinício de dor precordial aos pequenos esforços, aliviada com repouso. IV) Homem, 35 anos, obeso, dislipidêmico e tabagista, com dor torácica anterior, em aperto, associada à inspiração profunda, com alívio após o uso de dipirona ou cetoprofeno. Qual destes pacientes teria melhor benefício com a realização de investigação complementar com teste ergométrico?
Teste ergométrico é ideal para pacientes com dor torácica típica de angina estável e ECG basal normal.
O teste ergométrico é mais benéfico para pacientes com probabilidade intermediária de doença arterial coronariana (DAC) e dor torácica típica de angina estável, que apresentam um eletrocardiograma (ECG) basal normal. Pacientes com dor em repouso e alterações dinâmicas no ECG (como o paciente I) ou angina pós-angioplastia recente (paciente III) necessitam de investigação mais avançada, enquanto a dor do paciente IV é atípica para DAC.
O teste ergométrico (TE) é um exame não invasivo amplamente utilizado na cardiologia para avaliar a presença de isquemia miocárdica induzida por esforço, estratificar o risco cardiovascular e avaliar a capacidade funcional. Sua principal indicação é em pacientes com probabilidade pré-teste intermediária de doença arterial coronariana (DAC) e dor torácica sugestiva de angina estável, que possuam um eletrocardiograma (ECG) basal normal e capacidade de realizar esforço físico. No caso do paciente II, uma mulher de 55 anos com fatores de risco (diabetes, dislipidemia) e dor retroesternal de curta duração durante o esforço, que alivia rapidamente com o repouso, a descrição é clássica de angina estável. Assumindo um ECG basal normal, este perfil é ideal para o teste ergométrico, que pode confirmar a isquemia e avaliar a extensão da DAC. Por outro lado, o paciente I apresenta dor em repouso e alterações dinâmicas no ECG, sugerindo uma síndrome coronariana aguda (angina instável ou infarto), onde o TE é contraindicado. O paciente III, com angina pós-angioplastia recente, pode ter reestenose ou progressão da doença, necessitando de investigação mais aprofundada, como cintilografia miocárdica ou cateterismo. O paciente IV tem uma dor torácica atípica, com características pleuríticas e alívio com analgésicos comuns, o que torna a DAC menos provável como causa principal, e o TE teria baixo valor preditivo. A seleção correta do paciente para o TE é fundamental para otimizar o diagnóstico e evitar exames desnecessários ou inadequados.
As contraindicações absolutas incluem infarto agudo do miocárdio recente (<2 dias), angina instável de alto risco, arritmias cardíacas não controladas, estenose aórtica grave sintomática, insuficiência cardíaca descompensada e embolia pulmonar aguda.
O paciente I apresenta dor torácica prolongada em repouso e alterações dinâmicas da repolarização ventricular no ECG (infradesnível de ST), o que sugere uma síndrome coronariana aguda (angina instável ou IAM). Nesses casos, o teste ergométrico é contraindicado e a investigação deve ser feita com métodos mais sensíveis e específicos.
A dor torácica típica de angina é retroesternal, em aperto ou queimação, desencadeada por esforço físico ou estresse emocional e aliviada pelo repouso ou nitratos. A dor atípica pode ter características pleuríticas, ser pontual, não relacionada ao esforço ou aliviada por analgésicos comuns, como no paciente IV.
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