Teste do Coraçãozinho: Interpretação e Conduta em RN

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Recém-nascido no alojamento conjunto é submetido às triagens neonatais e apresenta triagem de cardiopatia congênita crítica, realizada com 24 horas de vida, com saturação de 95% em membro superior direito e 93% em membro inferior esquerdo. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O teste é positivo, porém não deve ser levado em consideração, pois foi realizado antes de 48 horas de vida, fora do período indicado para sua realização.
  2. B) O teste é positivo, pois um dos valores de saturação encontra-se abaixo de 95%; deve-se repetir o teste em 1 hora.
  3. C) O teste é negativo, já que a diferença entre a saturação pré e pós-ductal é menor que 3 pontos percentuais; não é necessário repetir o exame.
  4. D) O teste é positivo, pois está abaixo do valor de saturação-alvo do recém-nascido; deve-se solicitar imediatamente um ecocardiograma.
  5. E) O teste não pode ser considerado, pois foi realizado com técnica incorreta.

Pérola Clínica

Teste do Coraçãozinho: Positivo se saturação <95% em MS ou MI, OU diferença ≥3% entre MS e MI. Repetir em 1h.

Resumo-Chave

O teste do coraçãozinho (triagem de cardiopatia congênita crítica) é positivo se a saturação for <95% em qualquer membro (superior direito ou inferior) ou se a diferença entre a saturação pré-ductal (membro superior direito) e pós-ductal (membro inferior) for ≥3%. Nesses casos, o teste deve ser repetido em 1 hora. Se persistir alterado, um ecocardiograma deve ser solicitado.

Contexto Educacional

A triagem de cardiopatia congênita crítica, conhecida como 'teste do coraçãozinho', é um exame simples e não invasivo fundamental para a detecção precoce de cardiopatias congênitas ducto-dependentes em recém-nascidos. Essas cardiopatias, se não diagnosticadas e tratadas precocemente, podem levar a desfechos graves, incluindo choque, insuficiência cardíaca e óbito. A triagem é obrigatória no Brasil e faz parte do conjunto de exames de triagem neonatal. O teste é realizado entre 24 e 48 horas de vida, após a estabilização da transição circulatória neonatal e o fechamento do ducto arterioso. Consiste na aferição da saturação de oxigênio por oximetria de pulso no membro superior direito (pré-ductal) e em um dos membros inferiores (pós-ductal). A diferença entre as saturações e os valores absolutos são cruciais para a interpretação. Um teste é considerado positivo se a saturação em qualquer um dos membros for inferior a 95% ou se a diferença entre a saturação pré e pós-ductal for igual ou superior a 3%. Nesses casos, o teste deve ser repetido em uma hora. Se o resultado alterado persistir, o recém-nascido deve ser encaminhado para avaliação cardiológica com ecocardiograma, que é o padrão ouro para o diagnóstico. A detecção precoce permite a intervenção oportuna, como a administração de prostaglandina para manter o ducto arterioso pérvio em cardiopatias ducto-dependentes, melhorando significativamente o prognóstico desses bebês.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para um teste do coraçãozinho positivo?

O teste do coraçãozinho é considerado positivo se a saturação de oxigênio for menor que 95% em qualquer um dos membros (superior direito ou inferior) ou se houver uma diferença de saturação igual ou maior que 3% entre o membro superior direito (pré-ductal) e qualquer membro inferior (pós-ductal).

Qual a conduta após um teste do coraçãozinho positivo?

Após um teste positivo, a conduta inicial é repetir o exame em 1 hora. Se o resultado persistir alterado, o recém-nascido deve ser submetido a uma avaliação cardiológica completa, incluindo um ecocardiograma, para investigar a presença de cardiopatia congênita crítica.

Por que o teste do coraçãozinho é realizado entre 24 e 48 horas de vida?

O teste é realizado nesse período para permitir o fechamento fisiológico do ducto arterioso, que ocorre nas primeiras horas de vida. A avaliação após 24 horas garante que a circulação pulmonar esteja estabelecida e que a detecção de cardiopatias ducto-dependentes seja mais precisa, evitando falsos positivos devido à transição circulatória neonatal.

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