CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
O termo epífora significa:
Epífora = Transbordamento de lágrima por falha na drenagem (obstrução).
Diferente do lacrimejamento reflexo (hiperprodução), a epífora refere-se especificamente ao acúmulo e extravasamento de lágrimas causado por qualquer impedimento no sistema de drenagem nasolacrimal.
A epífora é um sintoma clínico frequente que exige uma abordagem sistemática para identificar o local da obstrução. O sistema de drenagem começa nos pontos lacrimais superior e inferior, segue pelos canalículos, saco lacrimal e termina no ducto nasolacrimal. O exame clínico deve incluir a inspeção da posição palpebral, a expressão do saco lacrimal (para verificar refluxo de material mucopurulento, indicativo de dacriocistite) e testes funcionais como o teste de desaparecimento da fluoresceína (Milder) e o teste de Jones. A resolução da epífora obstrutiva é predominantemente cirúrgica, variando desde a puntoplastia até a dacriocistorrinostomia (DCR).
Embora ambos resultem em olhos 'rasos d'água', a epífora é o transbordamento da lágrima devido a uma falha no sistema de drenagem (ex: obstrução do ponto lacrimal, canalículos ou ducto nasolacrimal). Já o lacrimejamento ou lacrimação refere-se ao excesso de produção de lágrima pela glândula lacrimal principal, geralmente como resposta reflexa a irritações oculares, inflamações, corpo estranho ou olho seco (lacrimejamento paradoxal).
Em adultos, as causas mais comuns incluem a estenose involucional (senil) do ducto nasolacrimal, dacriolitos (cálculos lacrimais), ectrópio palpebral (que afasta o ponto lacrimal do menisco lacrimal) e obstruções inflamatórias crônicas. Traumas faciais e tumores do saco lacrimal também devem ser considerados em quadros unilaterais progressivos. O diagnóstico é auxiliado pelo teste de irrigação (siringagem) das vias lacrimais.
A drenagem lacrimal é um processo ativo conhecido como 'bomba lacrimal'. Durante o piscar, o músculo orbicular se contrai, comprimindo os canalículos e o saco lacrimal, criando uma pressão negativa que aspira a lágrima dos pontos lacrimais para dentro do sistema. Quando o olho abre, a fáscia relaxa e a lágrima é empurrada para o ducto nasolacrimal e, finalmente, para o meato inferior do nariz. Qualquer falha nesse mecanismo muscular ou anatômico resulta em epífora.
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