Uso de Carbacol em Cirurgia Intraocular e Contraindicações

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2020

Enunciado

Ao término de uma cirurgia intraocular, o cirurgião optou pelo uso de carbacol. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) É desaconselhado em paciente com uveíte ativa.
  2. B) A medicação é destruída pela colinesterase.
  3. C) Seu uso intracameral é fugaz e dura apenas cinco minutos.
  4. D) Se o epitélio é íntegro, o uso da medicação tópica tem absorção importante.

Pérola Clínica

Carbacol em uveíte ativa → ↑ inflamação e risco de sinéquias por quebra da barreira hemato-aquosa.

Resumo-Chave

O carbacol é um agonista colinérgico potente e duradouro que exacerba a inflamação intraocular, sendo contraindicado em quadros de uveíte ativa.

Contexto Educacional

O carbacol intracameral é frequentemente utilizado ao final de cirurgias de catarata ou glaucoma para induzir miose e prevenir picos de pressão intraocular no pós-operatório imediato. Sua potência exige cautela; a absorção sistêmica, embora rara via intracameral, pode causar efeitos colaterais colinérgicos como bradicardia ou sudorese. Em pacientes com predisposição a inflamação, o cirurgião deve pesar os benefícios da miose contra o risco de agravar a uveíte. Em casos de uveíte, prefere-se manter a pupila em midríase com agentes cicloplégicos para evitar a dor do espasmo ciliar e prevenir sinéquias em posição de miose, que são mais difíceis de manejar cirurgicamente no futuro.

Perguntas Frequentes

Como o carbacol age no olho?

O carbacol é um potente agonista colinérgico (parassimpaticomimético) de ação direta e indireta. Ele estimula diretamente os receptores muscarínicos no esfíncter da íris e no músculo ciliar, promovendo miose e acomodação. Além disso, possui uma ação indireta ao promover a liberação de acetilcolina das terminações nervosas e por ser resistente à degradação pela enzima acetilcolinesterase, o que confere a ele uma duração de ação significativamente maior do que a da acetilcolina pura.

Por que evitar o uso de carbacol em uveítes?

O uso de mióticos como o carbacol em olhos com uveíte ativa é desaconselhado por dois motivos principais: 1) Eles promovem a quebra da barreira hemato-aquosa, aumentando o influxo de proteínas e células inflamatórias para a câmara anterior, o que exacerba a inflamação; 2) A miose intensa em um ambiente inflamado favorece a formação de sinéquias posteriores (aderências da íris ao cristalino), o que pode levar ao bloqueio pupilar e glaucoma secundário.

Qual a diferença entre Carbacol e Acetilcolina intracameral?

A principal diferença reside na estabilidade e duração do efeito. A acetilcolina é rapidamente hidrolisada pela colinesterase, tendo um efeito miótico que dura apenas cerca de 10 a 20 minutos, sendo ideal para mioses rápidas durante a cirurgia. Já o carbacol é resistente a essa enzima, proporcionando uma miose que pode durar de 8 a 24 horas. Além disso, o carbacol é mais eficaz na redução da pressão intraocular pós-operatória imediata devido à sua ação prolongada no corpo ciliar.

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