Terceira Bulha Cardíaca (B3): Fisiopatologia e Ciclo Cardíaco

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 65 anos com histórico de cardiomiopatia dilatada e insuficiência cardíaca congestiva é admitido na unidade de emergência com queixa de dispneia progressiva e edema de membros inferiores. Ao exame físico, o médico identifica a presença de uma terceira bulha cardíaca (B3), um som de baixa frequência ouvido logo após a segunda bulha (B2), durante o início da diástole. O médico explica aos residentes que esse achado é decorrente da súbita desaceleração do sangue que entra em um ventrículo já sobrecarregado de volume e com alta complacência. Considerando a fase do ciclo cardíaco em que a B3 é gerada, qual evento hemodinâmico caracteriza o início exato desta fase?

Alternativas

  1. A) A pressão aórtica atinge seu valor mínimo (nadir diastólico).
  2. B) A pressão intraventricular cai abaixo da pressão atrial.
  3. C) O ventrículo completa seu relaxamento isovolumétrico com as quatro valvas fechadas.
  4. D) A contração atrial impulsiona o volume residual final para o ventrículo.

Pérola Clínica

A B3 é fisiológica em crianças e atletas, mas em adultos acima de 40 anos, é um sinal altamente específico de disfunção sistólica ventricular e sobrecarga de volume.

Contexto Educacional

A terceira bulha cardíaca (B3) é um achado semiológico clássico em estados de sobrecarga de volume, como na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e na cardiomiopatia dilatada. Fisiologicamente, ela marca a transição entre o relaxamento isovolumétrico e o enchimento ventricular rápido. No momento em que a pressão dentro dos ventrículos declina e se torna inferior à pressão nos átrios, as valvas atrioventriculares (mitral e tricúspide) se abrem abruptamente. Este gradiente de pressão inicial impulsiona um grande volume de sangue para dentro da cavidade ventricular. Em um coração dilatado ou com excesso de volume residual, esse fluxo rápido causa vibrações nas paredes ventriculares e no aparelho valvar, resultando no som de baixa frequência característico. Embora possa ser fisiológica em crianças, atletas e gestantes, em adultos acima de 40 anos, a B3 é um sinal altamente específico de disfunção ventricular esquerda. Clinicamente, a B3 é melhor auscultada com a campânula do estetoscópio no ápice cardíaco (foco mitral), com o paciente em decúbito lateral esquerdo. Sua identificação é crucial para o diagnóstico de descompensação volêmica e para o ajuste da terapia diurética e inotrópica no manejo da insuficiência cardíaca.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença hemodinâmica entre B3 e B4?

A B3 está associada ao enchimento passivo rápido em um ventrículo volumoso/complacente, enquanto a B4 está associada à sístole atrial contra um ventrículo rígido/não complacente (hipertrofia).

Por que a pressão ventricular cai tanto no início da diástole?

Devido ao relaxamento ativo dos miócitos e à retração elástica do ventrículo após a sístole, processo que consome ATP para bombear cálcio de volta ao retículo sarcoplasmático.

O que é o período de diástase?

É a fase média da diástole, caracterizada por um enchimento ventricular lento, onde as pressões atrial e ventricular quase se igualam antes da sístole atrial.

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