Teratoma Ovariano: Prevenção da Torção Anexial

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 23 anos, vida sexual com uso de preservativo, ciclos menstruais regulares. Realiza exame ginecológico com achado de tumoração anexial direita, móvel e indolor. Exame ultrassonográfico complementar identifica tumoração ovariana de 6 cm compatível com diagnóstico de teratoma. A ooforoplastia direita prevenirá qual das seguintes explicações?

Alternativas

  1. A) Degeneração malígna.
  2. B) Sangramento.
  3. C) Infertilidade.
  4. D) Torção.

Pérola Clínica

Teratoma ovariano > 5 cm → risco aumentado de torção anexial; ooforoplastia previne essa complicação.

Resumo-Chave

Teratomas ovarianos, especialmente os maiores que 5 cm, são massas com densidade heterogênea que podem predispor à torção do ovário e anexos devido ao seu peso e mobilidade. A ooforoplastia, que remove o cisto preservando o ovário, é o tratamento de escolha para prevenir essa complicação aguda e dolorosa.

Contexto Educacional

O teratoma ovariano maduro, também conhecido como cisto dermoide, é o tumor de células germinativas mais comum do ovário, representando cerca de 10-20% de todas as neoplasias ovarianas. Geralmente benigno, é composto por tecidos derivados das três camadas germinativas (ectoderma, mesoderma e endoderma), podendo conter cabelo, dentes, gordura e outros elementos. Embora frequentemente assintomático, pode ser descoberto incidentalmente em exames de imagem ou apresentar sintomas como dor pélvica. A fisiopatologia da torção anexial em teratomas está relacionada ao seu tamanho e composição heterogênea. Cistos maiores que 5 cm, especialmente os dermoides, possuem um centro de gravidade que, combinado com a mobilidade do ovário, aumenta a probabilidade de rotação do pedículo vascular, comprometendo o fluxo sanguíneo. A torção resulta em isquemia, necrose e dor aguda intensa, sendo uma emergência ginecológica. O diagnóstico é baseado na clínica e ultrassonografia. A conduta para teratomas ovarianos depende do tamanho e sintomas. Cistos pequenos e assintomáticos podem ser apenas acompanhados. No entanto, teratomas maiores que 5 cm, como o da questão (6 cm), têm indicação cirúrgica devido ao risco de torção. A ooforoplastia (cistectomia ovariana) é a técnica preferencial, pois remove o cisto preservando o tecido ovariano saudável, o que é crucial para a fertilidade futura da paciente. A salpingooforectomia (remoção do ovário e tuba) é reservada para casos de necrose extensa ou suspeita de malignidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para torção anexial?

Os principais fatores de risco para torção anexial incluem a presença de massas ovarianas maiores que 5 cm (especialmente teratomas e cistos paraovarianos), gravidez, uso de indutores de ovulação e ligadura tubária prévia, que aumentam a mobilidade do ovário.

Como é feito o diagnóstico de torção anexial?

O diagnóstico de torção anexial é clínico, com dor pélvica aguda e súbita, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. A ultrassonografia com Doppler é o exame de imagem de escolha, mostrando ovário aumentado, edema e, em casos avançados, ausência de fluxo sanguíneo.

Qual a conduta para um teratoma ovariano de 6 cm?

Um teratoma ovariano de 6 cm, mesmo que benigno, tem indicação cirúrgica devido ao risco significativo de torção anexial. A ooforoplastia (cistectomia ovariana) é o procedimento preferencial para remover o cisto e preservar o tecido ovariano saudável, especialmente em pacientes jovens.

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