Teratoma Maduro Ovariano: Diagnóstico USG e Manejo Clínico

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Adolescente, 15 anos, apresentou episódio de dor abdominal há 2 semanas, sem sinais de descompressão dolorosa, que melhorou espontaneamente. Ultrassom pélvica 1 semana após o episódio álgico: imagem de 5cm em ovário direito, de aspecto heterogêneo, predominantemente hipoecogênico, com áreas hiperecogênicas de permeio. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) tumor de Sertoli-Leydig
  2. B) disgerminona
  3. C) teratoma maduro
  4. D) cisto folicular funcional

Pérola Clínica

Massa ovariana em adolescente com áreas hiperecogênicas (gordura/cálcio) no USG → Teratoma maduro (cisto dermoide).

Resumo-Chave

O teratoma maduro é o tumor ovariano mais comum em mulheres jovens. Sua aparência ultrassonográfica característica, com componentes ecogênicos (gordura, dentes, cabelo) em meio a uma massa complexa, é a chave para o diagnóstico diferencial com outras massas anexiais.

Contexto Educacional

O teratoma cístico maduro, também conhecido como cisto dermoide, é o tumor de células germinativas mais comum do ovário, respondendo por cerca de 20% de todas as neoplasias ovarianas. É particularmente prevalente em mulheres jovens e adolescentes, sendo a neoplasia ovariana mais frequente nessa faixa etária. A maioria é benigna e assintomática, sendo frequentemente um achado incidental em exames de imagem. O diagnóstico é primariamente ultrassonográfico. A aparência clássica é de uma massa complexa, unilocular, com componentes de diferentes ecogenicidades que representam os tecidos das três camadas germinativas: ectoderme (pele, cabelo, glândulas sebáceas), mesoderme (osso, cartilagem, gordura) e endoderme (epitélio respiratório, gastrointestinal). A presença de focos hiperecogênicos (gordura, dentes, osso) é altamente sugestiva. A dor abdominal aguda, como no caso apresentado, deve levantar a suspeita de uma complicação, como a torção ovariana. O manejo padrão para teratomas maduros sintomáticos ou maiores que 5-6 cm é a cistectomia ovariana, idealmente por laparoscopia. Este procedimento visa remover o cisto preservando o máximo de tecido ovariano funcional, o que é crucial para a fertilidade futura da paciente. O diagnóstico definitivo é histopatológico. O prognóstico é excelente, com baixo risco de recorrência após a excisão completa.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados ultrassonográficos típicos de um teratoma maduro?

Os achados clássicos incluem uma massa complexa, heterogênea, com focos hiperecogênicos com sombra acústica posterior (calcificações/dentes) e áreas de ecogenicidade elevada (gordura). O nódulo de Rokitansky, uma protuberância ecogênica na parede do cisto, é um sinal característico.

Qual a conduta diante de um teratoma maduro ovariano?

O tratamento é geralmente cirúrgico (cistectomia ovariana), preferencialmente por via laparoscópica, para confirmação histológica e prevenção de complicações. A preservação do tecido ovariano saudável é o objetivo principal em mulheres jovens.

Quais as principais complicações de um teratoma ovariano?

A complicação aguda mais comum é a torção ovariana, uma emergência cirúrgica. Outras incluem ruptura com peritonite química, infecção secundária e, muito raramente (<2% dos casos), transformação maligna, geralmente para carcinoma de células escamosas.

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