SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Uma paciente de 18 anos de idade comparece ao serviço médico com queixa de dor abdominal baixa e aumento de volume abdominal. Durante a avaliação, foi realizada uma ultrassonografia pélvica, que revelou a presença de uma massa ovariana de, aproximadamente, 8cm. O médico suspeita de um teratoma imaturo.Em relação ao prognóstico do teratoma imaturo, é correto afirmar:
Prognóstico do teratoma imaturo → determinado pelo grau histológico (quantidade de tecido neuroepitelial imaturo).
O teratoma imaturo é um tumor de células germinativas maligno cujo prognóstico depende diretamente do grau de diferenciação histológica (G1 a G3), e não apenas do tamanho da massa.
O teratoma imaturo representa cerca de 1% de todos os cânceres de ovário, sendo o segundo tumor de células germinativas maligno mais comum, acometendo predominantemente mulheres jovens. Diferente do teratoma cístico maduro, ele contém tecidos embrionários, principalmente neuroectoderma. A avaliação histopatológica minuciosa é crucial, pois a presença de implantes peritoneais (gliomatose peritoneal) pode ocorrer; se estes implantes forem maduros, o prognóstico permanece excelente, reforçando a importância da diferenciação histológica.
O principal fator determinante do prognóstico e do risco de recorrência no teratoma imaturo é o grau histológico, que se baseia na quantidade de tecido neuroepitelial imaturo presente na amostra. O sistema de Norris é frequentemente utilizado para essa classificação (Graus 1, 2 e 3). Enquanto tumores de Grau 1 limitados ao ovário apresentam excelente prognóstico apenas com cirurgia, graus mais elevados ou doença avançada geralmente requerem quimioterapia adjuvante para controle da doença.
Em pacientes jovens com desejo de preservar a fertilidade, a conduta padrão é a salpingo-oforectomia unilateral com estadiamento cirúrgico completo. A preservação do útero e do ovário contralateral é possível na maioria dos casos, visto que o teratoma imaturo raramente é bilateral (diferente do teratoma maduro, que pode ser bilateral em 10-15% dos casos). A cistectomia ovariana não é recomendada devido ao risco de ruptura capsular e disseminação de células malignas.
A quimioterapia adjuvante, geralmente utilizando o protocolo BEP (Bleomicina, Etoposídeo e Cisplatina), está indicada para pacientes com teratoma imaturo de Grau 2 ou 3, ou em casos de Grau 1 com doença extra-ovariana (estádios II, III ou IV). Pacientes com Estádio IA Grau 1 podem ser manejadas apenas com observação rigorosa após a cirurgia, apresentando taxas de sobrevida superiores a 90%.
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