SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Uma paciente de 18 anos de idade comparece ao serviço médico com queixa de dor abdominal baixa e aumento de volume abdominal. Durante a avaliação, foi realizada uma ultrassonografia pélvica, que revelou a presença de uma massa ovariana de, aproximadamente, 8cm. O médico suspeita de um teratoma imaturo.Indique a conduta mais apropriada, considerando o manejo inicial da paciente com teratoma imaturo:
Massa ovariana suspeita em jovens → Cirurgia (Laparotomia) para diagnóstico, estadiamento e tratamento.
O teratoma imaturo é um tumor maligno de células germinativas que exige intervenção cirúrgica para diagnóstico histopatológico e estadiamento, priorizando a preservação da fertilidade em pacientes jovens.
O teratoma imaturo representa o segundo tumor de células germinativas maligno mais comum do ovário, ocorrendo predominantemente em adolescentes e mulheres jovens. Diferente do teratoma maduro (cisto dermoide), ele possui componentes de tecidos embrionários não diferenciados, o que confere seu caráter maligno. O quadro clínico costuma envolver dor abdominal e massa palpável de crescimento rápido. O manejo inicial é obrigatoriamente cirúrgico. Em pacientes em idade reprodutiva, a conduta padrão é a salpingo-oforectomia unilateral com estadiamento cirúrgico completo, preservando o útero e o ovário contralateral para manter a fertilidade. A quimioterapia adjuvante (geralmente o esquema BEP - Bleomicina, Etoposídeo e Cisplatina) é indicada para tumores de alto grau (G2 ou G3) ou estádios avançados, apresentando excelentes taxas de cura.
O teratoma maduro é um tumor benigno composto por tecidos bem diferenciados derivados dos três folhetos germinativos (ectoderme, mesoderme e endoderme), sendo o tipo mais comum de tumor de células germinativas. Em contraste, o teratoma imaturo é uma neoplasia maligna caracterizada pela presença de tecidos embrionários imaturos, predominantemente neuroepitélio. A graduação histológica do teratoma imaturo, que varia de G1 a G3, baseia-se justamente na quantidade de neuroepitélio imaturo presente por campo de menor aumento. Enquanto o teratoma maduro pode ser tratado com cistectomia simples, o imaturo exige uma abordagem mais agressiva com estadiamento cirúrgico completo, pois apresenta potencial de disseminação peritoneal e recorrência, sendo o diagnóstico diferencial definitivo realizado apenas através da análise histopatológica minuciosa da peça cirúrgica removida.
A laparotomia exploratória é a via de escolha no manejo inicial de massas ovarianas volumosas com suspeita de malignidade em pacientes jovens, como no caso do teratoma imaturo. Essa abordagem permite a realização do estadiamento cirúrgico completo, que inclui a coleta de citologia peritoneal, inspeção exaustiva da cavidade, biópsias de implantes suspeitos e a ooforectomia unilateral. A principal vantagem da laparotomia sobre a laparoscopia, em casos de suspeita de tumores de células germinativas malignos, é a redução drástica do risco de ruptura acidental da cápsula tumoral (spillage). O extravasamento do conteúdo tumoral para a cavidade abdominal pode elevar o estádio da doença de IA para IC, o que altera significativamente o prognóstico e obriga a paciente a submeter-se a ciclos de quimioterapia adjuvante que poderiam ser evitados.
Os marcadores tumorais são ferramentas indispensáveis na avaliação de massas anexiais em crianças e adultos jovens. No teratoma imaturo, a Alfafetoproteína (AFP) é o marcador mais relevante, apresentando-se elevada em aproximadamente 50% dos casos, embora níveis normais não excluam o diagnóstico. O CA-125 também pode estar aumentado, mas sua especificidade é baixa. A dosagem desses marcadores no pré-operatório é crucial para o diagnóstico diferencial com outros tumores de células germinativas, como o tumor do seio endodérmico (onde a AFP é marcadamente alta) ou o coriocarcinoma (elevação de beta-hCG). Além disso, os marcadores que estavam alterados inicialmente servem como um parâmetro sensível para o acompanhamento pós-operatório, permitindo a detecção precoce de recidivas ou de doença residual antes mesmo de alterações em exames de imagem.
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