Teratoma Cístico Maduro: Diagnóstico e Bilateralidade

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 25 anos, sexualmente ativa, sem atraso menstrual, comparece ao ginecologista com uma ultrassonografia transvaginal de rotina que apresentou nódulo de aspecto misto, com áreas hiperecogênicas difusas e sombra acústica posterior no ovário direito medindo 7,0 cm. O ovário esquerdo e o útero não apresentaram alterações à ultrassonografia. Ao toque vaginal, identificou-se a presença de massa móvel, indolor, medindo em torno de 7,0 cm, palpável em região anexial direita.Considerando a principal hipótese diagnóstica do caso, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) esse tipo de tumor ovariano é bilateral em 10% dos casos;
  2. B) usualmente o marcador tumoral CA125 é elevado nesses casos;
  3. C) a chance de malignidade desse tipo de tumor é usualmente alta;
  4. D) o principal subtipo histológico desses tumores é o cistoadenocarcinoma seroso;
  5. E) o tratamento de eleição para esse tipo de tumor é a histerectomia com ooforectomia bilateral.

Pérola Clínica

Massa ovariana em mulher jovem com áreas hiperecogênicas e sombra acústica na USG → principal hipótese é Teratoma Cístico Maduro, que é bilateral em 10-15% dos casos.

Resumo-Chave

O teratoma cístico maduro (cisto dermoide) é o tumor de células germinativas mais comum do ovário, tipicamente benigno. Seus achados ultrassonográficos são característicos (componentes de gordura, cabelo, calcificações). A bilateralidade ocorre em uma minoria significativa dos casos (10-15%), um fato importante para o planejamento cirúrgico e aconselhamento.

Contexto Educacional

O teratoma cístico maduro, também conhecido como cisto dermoide, é o tumor de células germinativas mais comum do ovário, correspondendo a cerca de 20% de todas as neoplasias ovarianas. É mais prevalente em mulheres jovens, durante a idade reprodutiva. Histologicamente, é composto por tecidos bem diferenciados derivados de pelo menos duas das três camadas germinativas (ectoderme, mesoderme e endoderme), o que explica a presença de cabelo, pele, dentes e gordura no seu interior. A grande maioria (>98%) dos teratomas císticos maduros é benigna. O diagnóstico é frequentemente incidental, realizado por meio de ultrassonografia pélvica, que revela achados característicos como áreas hiperecogênicas com sombra acústica posterior. Embora geralmente unilaterais, os teratomas císticos maduros são bilaterais em 10 a 15% dos casos, um dado epidemiológico crucial para o planejamento terapêutico e seguimento. O tratamento de escolha para mulheres que desejam preservar a fertilidade é a cistectomia ovariana, preferencialmente por via laparoscópica, que consiste na remoção do cisto com preservação do tecido ovariano sadio. Marcadores tumorais como o CA-125 geralmente não estão elevados. A principal preocupação clínica é o risco de torção anexial, uma emergência cirúrgica, especialmente em tumores maiores que 5-6 cm.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados ultrassonográficos típicos de um teratoma cístico maduro?

Os achados clássicos incluem o 'sinal do iceberg' ou sombra acústica posterior devido a cabelo e sebo; um nódulo hiperecogênico mural (nódulo de Rokitansky); e a presença de componentes ecogênicos representando gordura, cabelo ou calcificações (dentes/ossos).

Qual é o tratamento padrão para um cisto dermoide em uma mulher em idade fértil?

O tratamento é a cistectomia ovariana por via laparoscópica. O objetivo é remover apenas o cisto, preservando o máximo de tecido ovariano saudável para manter a função hormonal e a fertilidade. A ooforectomia (remoção de todo o ovário) é reservada para casos de ovário completamente destruído ou suspeita de malignidade.

Quais as principais complicações associadas a um teratoma ovariano?

A complicação aguda mais comum é a torção ovariana, que é uma emergência cirúrgica. Outras complicações, embora mais raras, incluem a ruptura do cisto com peritonite química, infecção secundária e transformação maligna (geralmente em carcinoma espinocelular), que ocorre em menos de 2% dos casos, principalmente em mulheres na pós-menopausa.

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