IC com FEVE Reduzida: TRC-D para Melhores Desfechos

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 75 anos de idade, com cardiomiopatia dilatada evoluindo com insuficiência cardíaca congestiva, NYHA tipo funcional IIl, com medicação otimizada. Ecocardiograma: fração de ejeção ventricular esquerda = 28%, Holter: ritmo sinusal, FC média de 55 bpm, ausência de pausas > 2,0 s e bloqueio de ramo esquerdo com QRS = 180 ms. O tratamento mais adequado é:

Alternativas

  1. A) marcapasso VV.
  2. B) marcapasso DDD.
  3. C) ressincronizador cardíaco + cardiodesfibrilador implantável.
  4. D) transplante cardíaco.

Pérola Clínica

IC com FEVE < 35%, NYHA II/III, QRS > 150ms + BRE → TRC-D (ressincronizador + CDI).

Resumo-Chave

A paciente apresenta insuficiência cardíaca com fração de ejeção muito reduzida (28%), sintomas significativos (NYHA III) e bloqueio de ramo esquerdo com QRS muito alargado (180 ms). Esses são critérios clássicos para indicação de Terapia de Ressincronização Cardíaca (TRC), que melhora a função ventricular e sintomas. Além disso, a FEVE < 35% e IC sintomática, mesmo com medicação otimizada, conferem alto risco de morte súbita, indicando a necessidade de um Cardiodesfibrilador Implantável (CDI) para prevenção primária.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) com fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE) reduzida é uma condição grave com alta morbimortalidade. O manejo desses pacientes envolve otimização da terapia medicamentosa e, em casos selecionados, dispositivos cardíacos implantáveis. A paciente do caso clínico apresenta um quadro clássico para a indicação de terapia avançada. A presença de cardiomiopatia dilatada, IC sintomática (NYHA III) apesar de medicação otimizada, FEVE ≤ 35% (28% no caso) e um QRS muito alargado (180 ms) com bloqueio de ramo esquerdo (BRE) são os pilares para a indicação de Terapia de Ressincronização Cardíaca (TRC). A TRC visa corrigir a dessincronia ventricular, melhorando a eficiência do bombeamento cardíaco, o que se traduz em melhora dos sintomas, da qualidade de vida e da sobrevida. Adicionalmente, pacientes com IC e FEVE ≤ 35% têm um risco elevado de morte súbita cardíaca devido a arritmias ventriculares malignas. Nesses casos, a implantação de um Cardiodesfibrilador Implantável (CDI) é indicada para prevenção primária, atuando como um 'para-raios' que detecta e interrompe essas arritmias. A combinação de TRC e CDI (TRC-D) é frequentemente a opção mais adequada para pacientes que preenchem ambos os critérios, como a paciente em questão, oferecendo tanto a melhora da função cardíaca quanto a proteção contra arritmias fatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para indicação de Terapia de Ressincronização Cardíaca (TRC)?

Os critérios incluem insuficiência cardíaca sintomática (NYHA II-IV), fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE) ≤ 35%, ritmo sinusal e QRS largo (geralmente ≥ 150 ms com BRE ou ≥ 130 ms com BRE em algumas diretrizes).

Quando um Cardiodesfibrilador Implantável (CDI) é indicado em pacientes com insuficiência cardíaca?

O CDI é indicado para prevenção primária de morte súbita em pacientes com IC sintomática (NYHA II-III) e FEVE ≤ 35%, apesar de terapia medicamentosa otimizada, e para prevenção secundária em sobreviventes de parada cardíaca por taquiarritmia ventricular.

Qual a diferença entre um marcapasso convencional e um ressincronizador cardíaco?

Um marcapasso convencional estimula uma ou duas câmaras cardíacas para manter uma frequência cardíaca adequada, enquanto um ressincronizador cardíaco (TRC) estimula ambos os ventrículos simultaneamente (biventricular) para corrigir a dessincronia e melhorar a função de bombeamento.

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