HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020
Anormalidades de condução ventricular são comumente observadas em associação com insuficiência cardíaca congestiva (ICC). Os retardos elétricos promovidos prejudicam o enchimento ventricular, reduzem a contratilidade, agravam a regurgitação mitral e promovem movimento paradoxal do septo interventricular. O conjunto dessas manifestações é chamado de dissincronia ventricular, e o implante de um marcapasso multissítio pode ajudar a corrigi-la, reduzindo assim a alta morbimortalidade associada à ICC. Estudos multicêntricos acabaram por definir o perfil clínico e os achados de exames complementares que aumentam as chances de sucesso da terapia de ressincronização cardíaca (TRC). Assinale a alternativa CORRETA acerca do paciente que apresenta maiores chances de responder à TRC.
TRC ideal: FEVE ≤ 35%, ritmo sinusal, CF II-IV, LBBB, QRS ≥ 150ms, otimização clínica.
A Terapia de Ressincronização Cardíaca (TRC) é indicada para pacientes com insuficiência cardíaca sintomática, disfunção ventricular esquerda grave (FEVE ≤ 35%), ritmo sinusal e dissincronia ventricular significativa, caracterizada por um QRS largo (≥ 150 ms) e morfologia de bloqueio de ramo esquerdo (BRE). Pacientes em classe funcional IV, mesmo que internados, se otimizados clinicamente, têm grande benefício, pois a TRC visa reduzir morbimortalidade e melhorar a qualidade de vida.
A insuficiência cardíaca congestiva (ICC) é uma síndrome complexa com alta morbimortalidade. A terapia de ressincronização cardíaca (TRC) surgiu como uma intervenção eficaz para pacientes selecionados, melhorando sintomas, capacidade funcional e prognóstico. A compreensão dos critérios de seleção é fundamental para otimizar os resultados e evitar implantes desnecessários. Os estudos multicêntricos que definiram o perfil do respondedor à TRC enfatizaram a importância da disfunção sistólica grave (FEVE ≤ 35%), a presença de ritmo sinusal (para permitir a sincronização atrioventricular e biventricular), e a evidência eletrocardiográfica de dissincronia ventricular, mais proeminentemente o bloqueio de ramo esquerdo (BRE) com QRS ≥ 150 ms. Pacientes com BRE e QRS alargado são os que mais se beneficiam, pois a TRC corrige o atraso na ativação ventricular. Para residentes, é crucial memorizar esses critérios. A classe funcional (CF) da NYHA também é um fator importante, com a TRC sendo indicada para pacientes em CF II, III e IV, desde que estejam com tratamento clínico otimizado. A presença de internação por ICC em CF IV, como no caso da alternativa correta, não exclui o benefício, mas reforça a gravidade da doença e a necessidade de intervenção para melhorar o prognóstico.
Os principais critérios incluem insuficiência cardíaca sintomática (CF II-IV), fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 35%, ritmo sinusal, e um complexo QRS alargado (≥ 150 ms) com morfologia de bloqueio de ramo esquerdo (BRE), após otimização do tratamento clínico.
A morfologia de BRE indica uma dissincronia intraventricular significativa, onde a ativação do ventrículo esquerdo é atrasada e desorganizada. A TRC, ao estimular ambos os ventrículos, busca corrigir essa dissincronia, melhorando a função de bomba cardíaca e o enchimento ventricular.
A fibrilação atrial é uma contraindicação relativa ou requer considerações especiais. Para que a TRC seja eficaz, é necessário que o marcapasso consiga capturar os ventrículos de forma consistente. Em pacientes com FA, isso pode ser difícil. Nesses casos, a ablação do nó atrioventricular pode ser considerada para garantir a captura ventricular pelo marcapasso.
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