UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente de 55 anos, G2P2, consultou por vir apresentando, nos últimos 2 anos, vários episódios de calorões intensos, piora da qualidade do sono e maior irritabilidade. Referiu que, há 6 meses, iniciara com ressecamento vaginal e dispareunia. Submetera-se a histerectomia com salpingooforectomia bilateral há 2 anos, por miomatose. Em seu histórico, constavam diabetes melito (uso de antidiabético oral) e hipertensão arterial (uso de enalapril e hidroclorotiazida). Negou neoplasia, tabagismo ou ingestão de álcool. Ao exame físico, a pressão arterial era de 120/84 mmHg, o IMC, de 28 kg/m², e as mamas, normais; ao exame especular, constatou-se atrofia vaginal, sem outras particularidades. Trouxe mamografia e citologia de cúpula vaginal, realizadas há 8 meses, com resultados normais, além de exames bioquímicos com TSH normal, glicemia de 88 mg/dl e perfil lipídico com colesterol de 198 mg/dl, HDL de 40 mg/dl e triglicerídios de 190 mg/dl. Com base no quadro, deve-se prescrever
Paciente sem útero com sintomas menopausais e comorbidades → TRH com estrogênio isolado via transdérmica é preferencial.
Em mulheres histerectomizadas, a terapia com estrogênio isolado é suficiente, pois não há útero para proteger do risco de hiperplasia endometrial. A via transdérmica é preferível em pacientes com comorbidades como DM, HAS e dislipidemia, pois evita a primeira passagem hepática, minimizando o impacto nos fatores de coagulação e perfil lipídico.
A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é uma abordagem eficaz para aliviar os sintomas vasomotores e geniturinários da menopausa. Sua indicação e escolha da via devem ser individualizadas, considerando o perfil de risco e a presença de útero. Em mulheres submetidas à histerectomia total, a progesterona não é necessária, pois o principal objetivo da sua adição é proteger o endométrio da hiperplasia induzida pelo estrogênio. A via transdérmica de estrogênio é frequentemente preferida em pacientes com comorbidades como diabetes, hipertensão e dislipidemia, ou naquelas com risco aumentado de trombose. Isso ocorre porque a administração transdérmica evita o metabolismo de primeira passagem hepática, resultando em menor impacto nos fatores de coagulação, triglicerídeos e proteínas hepáticas, como a proteína C reativa. A dose e o tipo de estrogênio devem ser ajustados para otimizar o controle dos sintomas com a menor dose efetiva. O tratamento da atrofia vaginal pode ser feito com estrogênio tópico, que tem absorção sistêmica mínima e pode ser usado mesmo em pacientes com contraindicações à TRH sistêmica. A decisão de iniciar ou manter a TRH deve ser reavaliada periodicamente, considerando a idade da paciente, o tempo desde a menopausa e a persistência dos sintomas, sempre buscando o melhor equilíbrio entre benefícios e riscos.
A principal diferença é que mulheres sem útero (histerectomizadas) não necessitam de progesterona sistêmica, pois não há endométrio para proteger da hiperplasia induzida pelo estrogênio. A terapia pode ser feita com estrogênio isolado.
A via transdérmica evita o metabolismo de primeira passagem hepática, o que resulta em menor impacto nos fatores de coagulação, triglicerídeos e proteínas hepáticas, sendo mais segura para pacientes com comorbidades como diabetes, hipertensão e dislipidemia.
Os benefícios incluem melhora dos sintomas vasomotores e atrofia vaginal. Os riscos, especialmente cardiovasculares, são minimizados com a via transdérmica, mas a decisão deve ser individualizada, considerando o controle das comorbidades e o tempo desde a menopausa.
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