Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023
Mulher de 55 anos, menopausada há 4 anos, sem comorbidades, queixa-se de fogachos, irritabilidade e falha de memória. Nega história de câncer em parentes próximos. Nega histerectomia prévia. Assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada.
Útero íntegro → TRH combinada (E+P) obrigatória para prevenir hiperplasia e câncer de endométrio.
Em mulheres com útero preservado, a reposição estrogênica isolada é contraindicada devido ao risco oncogênico endometrial; a progesterona deve ser associada para proteção.
A transição para a menopausa é marcada pela queda dos níveis de estrogênio, resultando em sintomas que afetam o bem-estar físico e emocional. A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) visa mitigar esses efeitos. No entanto, a fisiopatologia endometrial exige que, na presença do útero, o estrogênio nunca seja administrado de forma isolada. A terapia combinada pode ser contínua ou cíclica, dependendo do tempo de menopausa e da preferência da paciente em relação ao sangramento privativo. Estudos como o WHI (Women's Health Initiative) reforçaram a necessidade de vigilância sobre os riscos e benefícios da TRH. Atualmente, recomenda-se a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário. A via de administração (oral vs. transdérmica) também deve ser considerada, sendo a via transdérmica preferível em pacientes com risco aumentado de trombose ou doenças metabólicas, por evitar o efeito de primeira passagem hepática.
A associação da progesterona é fundamental em mulheres com útero íntegro para antagonizar o efeito proliferativo do estrogênio no endométrio. O estrogênio isolado estimula o crescimento endometrial de forma desordenada, o que aumenta significativamente o risco de hiperplasia e adenocarcinoma de endométrio. A progesterona promove a diferenciação secretora e a descamação, garantindo a segurança oncológica do tratamento hormonal durante o climatério.
A principal indicação são os sintomas vasomotores (fogachos e sudorese noturna) que impactam a qualidade de vida, além de sintomas geniturinários e prevenção de osteoporose em pacientes selecionadas. O tratamento deve ser individualizado, respeitando a 'janela de oportunidade' (geralmente início antes dos 60 anos ou menos de 10 anos de menopausa) para minimizar riscos cardiovasculares e maximizar os benefícios terapêuticos.
As contraindicações incluem câncer de mama (atual ou prévio), câncer de endométrio estrogênio-dependente, sangramento vaginal de causa desconhecida, doença hepática ativa e grave, porfiria, e eventos tromboembólicos ou doenças cardiovasculares agudas/recentes. A avaliação criteriosa do histórico clínico e familiar é indispensável antes da prescrição de qualquer esquema de reposição hormonal.
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