TRH na Menopausa: Esquemas e Indicações no Brasil

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 52 anos de idade, lavadeira. Na consulta à Unidade de Saúde da Família, queixa-se de fogachos intensos e suores noturnos há cerca de 6 meses. As ondas de calor surgem várias vezes ao dia, são súbitas e duram cerca de 3 a 5 minutos. Tem dificuldades para dormir devido aos suores noturnos. Relata menopausa há 1 ano, quando surgiram os sintomas, desde então vêm se intensificando. Sem sangramento vaginal há mais de 12 meses e relata ressecamento vaginal. Última consulta ginecológica há 2 anos, quando os exames de rotina foram normais. Nega história familiar de câncer de mama ou de trombose e nunca fez reposição hormonal. A paciente também nega tabagismo e possui uma dieta regular. Exame físico sem alterações com PA: 125x78mmHg e IMC- 24kg/m²Indique o esquema de reposição hormonal preconizado para esta paciente, no Brasil: 

Alternativas

  1. A) Estrogênio isolado via oral ou transdérmica.
  2. B) Estrogênio combinado com progestagênio, oral ou transdérmica.
  3. C) Progestagênio isolado via oral, sem uso de estrogênio.
  4. D) Estrogênio combinado com testosterona, por via oral.

Pérola Clínica

Mulher com útero + TRH → Obrigatório associar Progestagênio ao Estrogênio para proteção endometrial.

Resumo-Chave

A terapia combinada é o padrão-ouro para mulheres sintomáticas com útero íntegro, visando o alívio de sintomas vasomotores e prevenção de câncer de endométrio.

Contexto Educacional

A menopausa é definida retrospectivamente após 12 meses de amenorreia. Os sintomas vasomotores afetam a maioria das mulheres e podem ser debilitantes. A decisão de iniciar a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) deve ser individualizada, pesando riscos e benefícios. No Brasil, as diretrizes da FEBRASGO orientam o uso da menor dose eficaz pelo menor tempo necessário. Para pacientes com útero, o esquema combinado (estrogênio + progestagênio) é a regra. A via de administração (oral vs. transdérmica) depende do perfil de risco da paciente; a via transdérmica é preferível em hipertensas, fumantes ou mulheres com risco aumentado de trombose, pois evita a primeira passagem hepática e não altera significativamente os fatores de coagulação.

Perguntas Frequentes

Por que associar progestagênio ao estrogênio na TRH?

O estrogênio isolado estimula a proliferação do endométrio. Sem a oposição do progestagênio, esse estímulo contínuo pode levar à hiperplasia endometrial e, eventualmente, ao câncer de endométrio. Portanto, em mulheres com útero preservado, a adição de um progestagênio (seja de forma cíclica ou contínua) é obrigatória para garantir a descamação ou atrofia endometrial e prevenir neoplasias.

Quais as principais indicações para iniciar a TRH?

A principal indicação são os sintomas vasomotores (fogachos e sudorese noturna) que impactam a qualidade de vida, geralmente na transição menopausal ou pós-menopausa precoce (janela de oportunidade). Outras indicações incluem a prevenção de osteoporose em mulheres de alto risco e o tratamento da síndrome geniturinária da menopausa.

O que é a 'janela de oportunidade' na TRH?

A janela de oportunidade refere-se ao período ideal para iniciar a TRH, geralmente em mulheres com menos de 60 anos ou com menos de 10 anos de menopausa. Iniciar a terapia nesse período está associado a um melhor perfil de segurança cardiovascular e menores riscos de eventos trombóticos em comparação ao início tardio.

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