MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma mulher de 51 anos, G2P2 (partos normais), comparece à consulta ginecológica com queixas de ondas de calor intensas (fogachos) que ocorrem diversas vezes ao dia, prejudicando seu sono e produtividade laboral. Refere que sua última menstruação ocorreu há 18 meses. Ela é tabagista ativa (15 cigarros por dia) e possui diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica, em uso regular de enalapril 10 mg duas vezes ao dia, com níveis tensionais bem controlados em casa. Nega antecedentes pessoais de tromboembolismo venoso ou câncer de mama. Ao exame físico, apresenta índice de massa corpórea (IMC) de 27 kg/m², pressão arterial de 126 x 78 mmHg e exame ginecológico com sinais de hipotrofia vulvovaginal. Traz mamografia realizada há três meses com laudo BI-RADS 2 e ultrassonografia transvaginal evidenciando útero presente, de volume normal, com eco endometrial de 3 mm. Diante do quadro clínico e do perfil da paciente, qual é a conduta mais adequada para o tratamento dos sintomas vasomotores?
Paciente com útero + TRH → Obrigatório associar progesterona. Tabagismo/HAS → Preferir via transdérmica.
A via transdérmica é preferível em tabagistas e hipertensas pelo menor risco tromboembólico. A progesterona é mandatória em mulheres com útero para proteção endometrial.
A transição para a menopausa é marcada pelo declínio estrogênico, resultando em sintomas vasomotores que impactam severamente a qualidade de vida e produtividade. O manejo clínico exige uma avaliação criteriosa de riscos e benefícios individuais. Em pacientes com útero, a terapia deve ser obrigatoriamente combinada (estrogênio + progesterona) para evitar a hiperplasia endometrial. A via transdérmica é a primeira escolha para mulheres com risco cardiovascular aumentado, como hipertensas, tabagistas, obesas ou com dislipidemia, devido ao menor risco de eventos trombóticos. O objetivo terapêutico é utilizar a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário para o controle dos sintomas, sempre monitorando a pressão arterial e a saúde mamária através de exames periódicos.
A via transdérmica evita o efeito de primeira passagem hepática, o que resulta em menor impacto na síntese de fatores de coagulação e proteínas transportadoras como a SHBG. Em pacientes com fatores de risco cardiovascular, como tabagismo e hipertensão arterial, essa via é preferível por apresentar um perfil de segurança superior em relação ao risco de tromboembolismo venoso (TEV) e eventos isquêmicos quando comparada à via oral. O estradiol transdérmico não aumenta os níveis de triglicerídeos e tem efeito neutro ou discretamente redutor na pressão arterial, sendo a escolha ideal para mulheres com comorbidades metabólicas ou vasculares controladas.
Em mulheres com útero íntegro, o uso de estrogênio isolado promove a proliferação endometrial sem oposição, o que aumenta significativamente o risco de hiperplasia e adenocarcinoma de endométrio. A adição de progesterona (seja contínua ou cíclica) é obrigatória para promover a diferenciação secretora e a descamação endometrial, neutralizando o efeito mitogênico do estrogênio. Opções como a progesterona micronizada ou o acetato de medroxiprogesterona são utilizadas para garantir essa proteção. Em pacientes histerectomizadas, o estrogênio pode ser prescrito isoladamente, exceto em casos específicos como histórico de endometriose grave.
As principais contraindicações incluem câncer de mama (atual ou prévio), câncer de endométrio estrogênio-dependente, sangramento vaginal de causa desconhecida, porfiria, doença hepática aguda e grave, e antecedentes de tromboembolismo venoso ou arterial agudo/recorrente (como IAM ou AVC). A hipertensão controlada e o tabagismo não são contraindicações absolutas, mas exigem cautela na escolha da via de administração, priorizando a transdérmica. Deve-se sempre avaliar a 'janela de oportunidade', preferindo iniciar a TRH em mulheres com menos de 60 anos ou com menos de 10 anos de menopausa para maximizar o benefício cardiovascular.
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