Menopausa: TRH Combinada para Sintomas Vasomotores

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 53 anos de idade, refere calores intensos (fogachos) há 3 meses, amenorreia há 9 meses e nega comorbidades ou cirurgias prévias. Antecedente familiar: avó com câncer de mama e endométrio aos 79 anos de idade. Exame físico sem alterações e mamografia BI-RADS 2. Já usou cimicifuga e chá de amora sem melhora. Qual é a melhor opção de tratamento?

Alternativas

  1. A) Raloxifeno.
  2. B) Tamoxifeno.
  3. C) Progestagênio isolado.
  4. D) Estrogênio e progestagênio.

Pérola Clínica

Mulher com útero intacto e sintomas vasomotores intensos na menopausa → TRH combinada (estrogênio + progestagênio).

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas vasomotores intensos (fogachos) e amenorreia há 9 meses, indicando menopausa. Como ela possui útero intacto, a terapia de reposição hormonal (TRH) deve incluir estrogênio e progestagênio para proteger o endométrio da hiperplasia causada pelo estrogênio isolado. A idade e a ausência de comorbidades favorecem a TRH.

Contexto Educacional

A menopausa é um período fisiológico na vida da mulher, marcado pelo fim da menstruação e pela diminuição da produção hormonal ovariana, principalmente de estrogênio. Os sintomas vasomotores, como os fogachos, são as queixas mais comuns e podem impactar significativamente a qualidade de vida. A terapia de reposição hormonal (TRH) é o tratamento mais eficaz para esses sintomas, especialmente quando são intensos e refratários a outras abordagens. A escolha da TRH depende da presença ou ausência do útero. Para mulheres com útero intacto, como no caso da paciente, a TRH deve ser combinada, ou seja, incluir estrogênio e progestagênio. O estrogênio é responsável por aliviar os sintomas da menopausa, mas, quando administrado isoladamente, pode estimular a proliferação endometrial, aumentando o risco de hiperplasia e câncer de endométrio. O progestagênio é adicionado para antagonizar esse efeito proliferativo, protegendo o endométrio. Antes de iniciar a TRH, é fundamental realizar uma avaliação completa, incluindo histórico pessoal e familiar (como o câncer de mama e endométrio na avó, que deve ser considerado, mas não é uma contraindicação absoluta para a paciente sem histórico pessoal), exame físico e mamografia. As contraindicações absolutas incluem câncer de mama atual ou prévio, doença tromboembólica ativa, sangramento vaginal inexplicado e doença hepática grave. A decisão pela TRH deve ser individualizada, considerando riscos e benefícios, e reavaliada periodicamente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para a terapia de reposição hormonal na menopausa?

As principais indicações para a TRH são o alívio de sintomas vasomotores moderados a graves (fogachos, suores noturnos), prevenção e tratamento da atrofia urogenital e prevenção da osteoporose em mulheres de alto risco, especialmente se iniciada antes dos 60 anos ou em até 10 anos da menopausa.

Por que o progestagênio é essencial na TRH para mulheres com útero intacto?

O progestagênio é essencial para proteger o endométrio da hiperplasia e do câncer endometrial, que podem ser induzidos pela estimulação estrogênica isolada. Ele antagoniza os efeitos proliferativos do estrogênio no útero.

Quais são as contraindicações absolutas para a terapia de reposição hormonal?

As contraindicações absolutas incluem câncer de mama atual ou prévio, doença tromboembólica ativa (TVP/TEP), sangramento vaginal inexplicado, doença hepática grave e histórico de AVC ou infarto agudo do miocárdio recente.

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