HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Mulher de 45 anos de idade queixa-se de ondas de calor intensas desde que foi operada para remoção de tumor de ovário direito, classificado como cistoadenocarcinoma seroso estádio 1, há 3 anos. A cirurgia foi considerada completa (histerectomia, anexectomia bilateral, omentectomia e linfadenectomia, ausência de neoplasia exceto no ovário direito) e não houve necessidade de terapia complementar sistêmica. Refere ter artrite reumatoide em uso de imunobiológico há 6 anos, com melhora importante do quadro de dor articular. Demais exames de rastreamento de neoplasias (mama e cólon) estão normais. Para o tratamento do climatério, indica-se
Climatério pós-câncer de ovário estádio inicial → estrogênio transdérmico isolado, se histerectomia prévia.
Em pacientes com histórico de câncer de ovário em estádio inicial e cirurgia completa (incluindo histerectomia), a terapia de reposição hormonal com estrogênio isolado por via transdérmica pode ser considerada para alívio dos sintomas vasomotores, após discussão dos riscos e benefícios. A via transdérmica é preferível por menor impacto hepático.
O climatério é um período de transição na vida da mulher, marcado pela diminuição da produção hormonal ovariana, culminando na menopausa. Em mulheres submetidas à ooforectomia bilateral, a menopausa é cirurgicamente induzida e os sintomas vasomotores, como ondas de calor, podem ser intensos e de início abrupto. A decisão de iniciar a terapia de reposição hormonal (TRH) nessas pacientes, especialmente com histórico de câncer, exige uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios. A fisiopatologia dos sintomas vasomotores está ligada à privação estrogênica. No contexto de um cistoadenocarcinoma seroso de ovário em estádio 1, com cirurgia completa e sem necessidade de terapia complementar, o risco de recorrência é relativamente baixo. A presença de artrite reumatoide em uso de imunobiológico não contraindica a TRH, mas a escolha da via e tipo de hormônio é crucial. O estrogênio transdérmico é preferível por ter menor impacto hepático e menor risco trombótico em comparação com a via oral. Para o tratamento do climatério em pacientes com histórico de câncer de ovário em estádio inicial, a terapia com estrogênio isolado (devido à histerectomia prévia) por via transdérmica é a opção mais indicada, considerando o perfil de segurança e eficácia. É fundamental que a decisão seja individualizada, discutida com a paciente e baseada nas diretrizes mais recentes, ponderando a qualidade de vida versus o risco de recorrência. O acompanhamento regular é indispensável.
A TRH pode ser considerada em casos selecionados de câncer de ovário epitelial em estádio inicial (I ou II), com cirurgia completa e sem doença residual, especialmente se a histerectomia foi realizada. A decisão deve ser individualizada e compartilhada com a paciente.
A via transdérmica é geralmente preferida para o estrogênio em pacientes pós-câncer, pois evita o metabolismo de primeira passagem hepática, o que pode reduzir alguns riscos associados à via oral.
Opções não hormonais incluem inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) como sertralina, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), gabapentina e clonidina. Terapias complementares também podem ser exploradas.
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