TRH na Menopausa: Guia para Mulheres Histerectomizadas

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

E.T.O, 53 anos, vem à consulta ambulatorial referindo fogachos intensos, irritabilidade, insônia e falha de memória. Hipertensão crônica controlada, em uso de IECA. IMC 30 kg/m². Hipercolesterolemia. Sem outras comorbidades. Nega alteração de libido. Histerectomia anterior por miomatose uterina. De acordo com o caso, assinale a alternativa que apresenta o tratamento correto.

Alternativas

  1. A) Estrogênio e progesterona via oral.
  2. B) Estrogênio, progesterona e testosterona via transdérmica.
  3. C) Estrogênio e testosterona via transdérmica.
  4. D) Estrogênio via transdérmica.
  5. E) Cloridrato de desvenlafaxina via oral.

Pérola Clínica

Mulher histerectomizada com sintomas menopausais → TRH apenas com estrogênio, preferencialmente transdérmico para menor risco cardiovascular.

Resumo-Chave

Em mulheres que realizaram histerectomia, a terapia de reposição hormonal (TRH) deve ser feita apenas com estrogênio, pois não há útero para proteger da hiperplasia endometrial. A via transdérmica é preferível em pacientes com fatores de risco cardiovascular como hipertensão e hipercolesterolemia, devido a um perfil de segurança mais favorável em relação ao risco tromboembólico e impacto hepático.

Contexto Educacional

A menopausa é um período de transição na vida da mulher, marcado pela cessação da menstruação e pela diminuição da produção hormonal ovariana, principalmente de estrogênio. Os sintomas vasomotores, como fogachos e suores noturnos, são os mais comuns, mas também podem ocorrer irritabilidade, insônia, alterações de humor e falha de memória. A terapia de reposição hormonal (TRH) é o tratamento mais eficaz para esses sintomas, mas sua indicação e tipo dependem de fatores individuais da paciente. Para mulheres que foram submetidas à histerectomia, a TRH consiste apenas na reposição de estrogênio, pois a progesterona é adicionada para proteger o endométrio uterino da hiperplasia. A escolha da via de administração (oral, transdérmica) é crucial. A via transdérmica é frequentemente preferida em pacientes com fatores de risco cardiovascular, como hipertensão e hipercolesterolemia, devido ao menor risco de tromboembolismo venoso e menor impacto hepático, por não passar pelo metabolismo de primeira passagem. É fundamental que o residente saiba avaliar os riscos e benefícios da TRH para cada paciente, considerando idade, tempo desde a menopausa, comorbidades e presença ou ausência de útero. Outras opções não hormonais, como inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRS/IRSN) como a desvenlafaxina, podem ser consideradas para o manejo dos sintomas vasomotores em pacientes com contraindicações à TRH ou que não desejam usá-la.

Perguntas Frequentes

Por que a progesterona não é necessária na TRH para mulheres histerectomizadas?

A progesterona é adicionada à terapia de reposição hormonal com estrogênio para proteger o endométrio uterino da hiperplasia e do câncer endometrial, que podem ser induzidos pelo estrogênio isolado. Em mulheres que já removeram o útero (histerectomia), não há endométrio a ser protegido, tornando a progesterona desnecessária.

Quais são as vantagens do estrogênio transdérmico em relação ao oral?

O estrogênio transdérmico evita o metabolismo de primeira passagem hepática, o que resulta em menor impacto nos fatores de coagulação e lipídios, conferindo um perfil de segurança mais favorável em relação ao risco de tromboembolismo venoso e doenças cardiovasculares, especialmente em pacientes com fatores de risco como hipertensão e dislipidemia.

Quando a TRH é indicada para sintomas menopausais?

A TRH é indicada para o alívio de sintomas vasomotores moderados a graves (fogachos, suores noturnos), sintomas geniturinários da menopausa e prevenção de osteoporose em mulheres com risco elevado, especialmente se iniciada próximo ao início da menopausa e sem contraindicações.

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