Menopausa e TRH: Estrogênio Transdérmico Pós-Histerectomia

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 52 anos, está em amenorreia há 2 anos e iniciou quadro de ondas de calor há cerca de 6 meses. Refere inclusive que tem despertares noturnos diários, com calor, seguido de sudorese fria. Há 3 anos, a paciente foi submetida à histerectomia total abdominal devido miomatose uterina e sangramento uterino anormal. A paciente trouxe alguns exames atuais: Mamografia: Birads 2, ultrassom transvaginal: ovários não visibilizados, colpocitologia oncótica: negativa para neoplasia, triglicérides: 475mg/dL, colesterol total 300mg/dL e glicemia de jejum 145mg/dL. Ao exame apresenta-se em bom estado geral, pressão arterial 150/100 mmHg, peso 75 Kg e altura: 1,65 cm, mamas: sem alterações, exame especular: vagina em fundo cego, toque vaginal: vagina em fundo cego. Qual é a reposição hormonal indicada para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Reposição hormonal com estrogênio e progesterona via oral.
  2. B) Reposição hormonal com estrogênio via oral.
  3. C) Reposição hormonal com estrogênio via transdérmica.
  4. D) Reposição hormonal com estrogênio via oral e testosterona via transdérmica.

Pérola Clínica

Menopausa + histerectomia + fatores risco CV → Estrogênio transdérmico é a RH de escolha.

Resumo-Chave

Em pacientes menopausadas histerectomizadas com fatores de risco metabólicos e cardiovasculares, a terapia de reposição hormonal deve ser feita apenas com estrogênio, e a via transdérmica é preferível para minimizar os riscos hepáticos e cardiovasculares associados à via oral.

Contexto Educacional

A menopausa é um período de transição na vida da mulher, marcado pela cessação da menstruação e declínio hormonal, que pode levar a sintomas vasomotores e outras manifestações. A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é uma opção para aliviar esses sintomas e prevenir a perda óssea, mas sua indicação e via de administração devem ser individualizadas, considerando o perfil de risco da paciente. Em pacientes histerectomizadas, a progesterona não é necessária na TRH, pois sua principal função é proteger o endométrio da hiperplasia induzida pelo estrogênio. A escolha da via de administração é crucial, especialmente em mulheres com fatores de risco cardiovascular ou metabólicos. A via transdérmica (adesivos, géis) é preferível nesses casos, pois evita o metabolismo de primeira passagem hepática, minimizando o impacto negativo sobre os triglicerídeos, fatores de coagulação e pressão arterial, em comparação com a via oral. A avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios, incluindo comorbidades como dislipidemia, hipertensão e obesidade, é fundamental para uma prescrição segura e eficaz da TRH. O acompanhamento regular e a reavaliação periódica da necessidade da terapia são essenciais para otimizar os resultados e minimizar potenciais complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são as vantagens do estrogênio transdérmico sobre o oral na TRH?

A via transdérmica evita o metabolismo de primeira passagem hepática, o que minimiza o impacto negativo sobre os triglicerídeos, fatores de coagulação e pressão arterial, sendo mais segura em pacientes com fatores de risco cardiovascular.

Por que a progesterona não é necessária na TRH após histerectomia total?

A progesterona é utilizada para proteger o endométrio da hiperplasia induzida pelo estrogênio. Em pacientes que foram submetidas à histerectomia total, o útero foi removido, eliminando a necessidade de proteção endometrial.

Quais fatores de risco influenciam a escolha da via de administração da TRH?

Fatores como dislipidemia, hipertensão, obesidade e risco trombótico aumentam a preferência pela via transdérmica, devido ao seu perfil de segurança metabólico e cardiovascular mais favorável em comparação com a via oral.

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