TRH Menopausa: Estrogênio Isolado para Histerectomizadas

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 52 anos de idade, comparece ao ambulatório com queixas, há cerca de um ano, de episódios diários de sensação súbita de calor intenso, iniciando em face, pescoço e parte superior do tronco e braços, acompanhados de taquicardia e, eventualmente, palpitações. Refere também insônia com despertares noturnos e sono não reparador. Relata ter menstruado pela última vez em dezembro de 2018, quando foi submetida à histerectomia total por sangramento uterino anormal. É G3PC3 e realizou salpingotripsia bilateral após a última gestação, ocorrida há 15 anos. Nega doenças crônicas e uso de medicações. Exames laboratoriais e complementares recentes: FSH: 62 mUI/mL; TSH: 2,4 mUI/mL; glicemia de jejum: 90 mg/dL; HDL: 70 mg/dL; LDL: 126 mg/dL; colesterol total: 216 mg/dL; triglicerídeos: 79 mg/ dL; creatinina: 0,88 mg/dL; sangue oculto nas fezes negativo; mamografia BI RADS 1. Apresenta ECG (eletrocardiograma) realizado nesta manhã (figura a seguir). Fonte: do(a) autor(a). Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA sobre a terapia indicada para a paciente.

Alternativas

  1. A) Indicar o uso diário de carvedilol 12,5 mg associado à isoflavona 150 mg, por via oral, de forma continua.
  2. B) Indicar o uso combinado de metoprolol 25 mg e paroxetina 25 mg, ambos em administração diária continua.
  3. C) Indicar o uso de um comprimido diário contendo 1 mg de estradiol + 2 mg de drospirenona em regime continuo.
  4. D) Indicar o uso apenas de estradiol hemi hidratado em solução spray 1,53 mg/spray, aplicando a dose diária no antebraço interno.

Pérola Clínica

Menopausa com útero ausente e sintomas vasomotores → TRH com estrogênio isolado = Via transdérmica preferencial.

Resumo-Chave

Em pacientes menopausadas histerectomizadas com sintomas vasomotores moderados a graves, a terapia de reposição hormonal com estrogênio isolado é a conduta de primeira linha; a via transdérmica é preferível para menor risco de trombose.

Contexto Educacional

A menopausa é um período fisiológico na vida da mulher, caracterizado pela cessação permanente das menstruações, geralmente confirmada após 12 meses de amenorreia. Os sintomas vasomotores, como os fogachos (ondas de calor), são as queixas mais comuns e podem impactar significativamente a qualidade de vida. O diagnóstico é clínico, mas exames como o FSH elevado (>40 mUI/mL) confirmam o estado menopausal. A terapia de reposição hormonal (TRH) é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores moderados a graves. Em mulheres que foram submetidas à histerectomia total, como a paciente do caso, o útero está ausente, eliminando a necessidade de progestagênio, que é adicionado à TRH para proteger o endométrio da hiperplasia estrogênio-induzida. Portanto, o tratamento consiste apenas em estrogênio. A via transdérmica (adesivos, géis, sprays) é frequentemente preferida em relação à via oral, pois evita o metabolismo de primeira passagem hepática, o que pode resultar em um perfil de segurança cardiovascular e trombótico mais favorável.

Perguntas Frequentes

Qual a indicação de TRH para pacientes histerectomizadas?

Para pacientes histerectomizadas com sintomas vasomotores da menopausa, a terapia de reposição hormonal com estrogênio isolado é indicada.

Por que não se usa progestagênio em mulheres histerectomizadas na TRH?

O progestagênio é utilizado para proteger o endométrio da hiperplasia induzida pelo estrogênio; na ausência do útero, essa proteção não é necessária.

Quais as vantagens da via transdérmica para o estrogênio na TRH?

A via transdérmica evita o metabolismo de primeira passagem hepática, o que pode reduzir o risco de trombose e o impacto nos fatores de coagulação.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo