UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020
Paciente de 50 anos, virgem, última menstruação há 7 meses, com queixas de fogachos, labilidade emocional e insônia; retorna à UBS trazendo resultados normais de mamografia, colpocitologia, bem como de exames laboratoriais (hemograma, lipidograma, TSH, urina e pesquisa de sangue oculta nas fezes. FSH= 98UI/L. Nega doenças prévias e relata uma tia-avó com câncer de mama. Sem outras queixas ginecológicas no momento. A conduta correta é:
Mulher menopausada com útero intacto e sintomas vasomotores → TRH combinada (estrogênio + progesterona) se não houver contraindicações.
A paciente apresenta sintomas clássicos de menopausa (fogachos, insônia, labilidade emocional) e um FSH elevado (>40 UI/L), confirmando o diagnóstico. A TRH é a terapia mais eficaz para esses sintomas. Como ela possui útero intacto, a combinação de estrogênio e progesterona é essencial para proteger o endométrio contra a hiperplasia e o câncer induzidos pelo estrogênio isolado.
A menopausa é um marco biológico na vida da mulher, caracterizado pela cessação permanente da menstruação, geralmente confirmada após 12 meses de amenorreia. Os sintomas vasomotores (fogachos), distúrbios do sono e labilidade emocional são comuns e podem impactar significativamente a qualidade de vida, tornando a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) uma opção terapêutica eficaz. A TRH é a abordagem mais efetiva para o alívio dos sintomas vasomotores e geniturinários da menopausa. A escolha entre estrogênio isolado ou combinado com progesterona depende da presença do útero. Mulheres com útero intacto devem receber terapia combinada (estrogênio + progesterona) para prevenir a hiperplasia e o câncer endometrial, enquanto mulheres histerectomizadas podem usar estrogênio isolado. É fundamental avaliar cuidadosamente os riscos e benefícios da TRH para cada paciente, considerando fatores como idade, tempo desde a menopausa, histórico pessoal e familiar de doenças cardiovasculares, tromboembolismo e câncer. A decisão deve ser compartilhada com a paciente, após discussão das contraindicações e potenciais efeitos adversos, visando a menor dose eficaz pelo menor tempo possível.
A TRH é indicada para mulheres na menopausa com sintomas vasomotores moderados a graves que afetam a qualidade de vida, na ausência de contraindicações absolutas.
A progesterona é adicionada à TRH com estrogênio em mulheres com útero intacto para proteger o endométrio da hiperplasia e do câncer endometrial, que podem ser induzidos pelo estrogênio isolado.
Não necessariamente. Uma tia-avó com câncer de mama não é uma contraindicação absoluta. As contraindicações incluem câncer de mama atual ou prévio, doença tromboembólica ativa, sangramento vaginal inexplicado, doença hepática grave e doença cardiovascular ativa.
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