SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015
Paciente, 47 anos de idade, queixando-se nos últimos 3 meses de "ondas de calor" diuturnamente, insônia e irritabilidade. Não apresenta sintomas de secura vaginal, tampouco, de perda urinária aos esforços. Antecedentes gineco-obstétricos: menarca aos 12 anos; G1/P1/A0. Submeteu-se, há 10 anos, à videolaparoscopia com anexectomia unilateral por endometrioma; há 8 anos; à cesariana segmentar e, há 6 meses à histerectomia total abdominal + anexectomia contralateral por sangramento uterino anormal e miomas uterinos. Antecedentes clínicos: não tem hipertensão arterial, diabetes mellitus ou tireoidopatia. Nega uso de medicamentos e tabagismo. Não há histórico de trombose venosa profunda. Antecedentes familiares: dislipidemias; desconhece neoplasias. Exame ginecológico e mamografia recentes e sem alterações. Dentre as opções abaixo de terapia de reposição hormonal para o referido caso, qual é a mais adequada?
Paciente pós-histerectomia total com sintomas vasomotores → TRH com estrogênio isolado. Progesterona não é necessária sem útero.
Em pacientes que foram submetidas à histerectomia total e anexectomia bilateral, a terapia de reposição hormonal (TRH) para sintomas vasomotores deve ser realizada apenas com estrogênio. A progesterona é adicionada à TRH para proteger o endométrio da hiperplasia induzida pelo estrogênio, sendo desnecessária na ausência do útero.
A menopausa cirúrgica, resultante da ooforectomia bilateral, leva a uma queda abrupta dos níveis hormonais, causando sintomas vasomotores intensos em muitas mulheres. A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é a abordagem mais eficaz para aliviar esses sintomas e melhorar a qualidade de vida. É crucial que o residente compreenda as nuances da TRH para indicar o esquema correto. Neste caso, a paciente foi submetida à histerectomia total e anexectomia contralateral, o que significa que ela não possui útero. A progesterona na TRH tem como principal função proteger o endométrio da hiperplasia induzida pelo estrogênio. Portanto, em pacientes sem útero, a progesterona é desnecessária e deve ser evitada, optando-se por terapia com estrogênio isolado. A escolha da via de administração (oral, transdérmica, vaginal) e do tipo de estrogênio (natural, sintético) deve ser individualizada, considerando o perfil de risco da paciente, comorbidades e preferências. A via transdérmica é frequentemente preferida por evitar o metabolismo hepático e ter um perfil de segurança cardiovascular potencialmente melhor em algumas populações.
A TRH é indicada principalmente para o alívio de sintomas vasomotores moderados a graves (ondas de calor, suores noturnos), distúrbios do sono e sintomas geniturinários da menopausa, especialmente em mulheres com menos de 60 anos ou menos de 10 anos de menopausa.
A TRH combinada (estrogênio + progesterona) é indicada para mulheres com útero intacto, para proteger o endométrio da hiperplasia. A TRH com estrogênio isolado é para mulheres que foram submetidas à histerectomia, pois não há útero a ser protegido.
A via transdérmica (adesivos, géis) oferece a vantagem de evitar o metabolismo de primeira passagem hepática, o que pode reduzir o risco de trombose venosa profunda e o impacto em fatores de coagulação e lipídios, sendo uma opção mais segura para algumas pacientes.
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