Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Mulher de 49 anos, climatério, apresenta fogachos, insônia e irritabilidade. Sem contraindicações à terapia hormonal. Qual é a indicação mais adequada?
Mulher com útero + sintomas climatéricos → TRH combinada (Estrogênio + Progesterona) para proteção endometrial.
A terapia hormonal combinada é o padrão-ouro para alívio de sintomas vasomotores em mulheres com útero íntegro, prevenindo a hiperplasia endometrial induzida pelo estrogênio isolado.
O climatério é marcado pela transição do período reprodutivo para o não reprodutivo, resultando em queda estrogênica progressiva. A terapia de reposição hormonal (TRH) visa mitigar sintomas como fogachos, insônia e atrofia urogenital, que impactam severamente a qualidade de vida. Em pacientes com útero, a combinação de estrogênio e progestagênio é mandatória para evitar a hiperplasia endometrial. A escolha da via (oral vs transdérmica) depende do perfil de risco cardiovascular e metabólico da paciente. A via transdérmica é preferível em hipertensas, fumantes ou mulheres com risco aumentado de trombose, pois evita a primeira passagem hepática e não altera significativamente os fatores de coagulação. O tratamento deve ser individualizado, utilizando a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário.
O uso de progestagênio em conjunto com o estrogênio é obrigatório em mulheres com útero preservado. O estrogênio isolado promove a proliferação do endométrio, o que pode levar à hiperplasia e ao carcinoma endometrial. O progestagênio atua antagonizando esse efeito proliferativo, garantindo a segurança oncológica do tratamento hormonal durante o climatério, transformando o endométrio proliferativo em secretor e permitindo sua descamação.
As principais contraindicações absolutas incluem história de câncer de mama ou de endométrio estrogênio-dependente, sangramento vaginal de causa desconhecida, doença hepática aguda grave, porfiria, e eventos tromboembólicos prévios ou ativos (como TVP ou TEP). Além disso, deve-se avaliar cuidadosamente o risco cardiovascular individual e a presença de lúpus eritematoso sistêmico com risco trombótico elevado antes de iniciar a terapia.
A 'janela de oportunidade' refere-se ao início da TRH preferencialmente antes dos 60 anos de idade ou dentro de 10 anos após o início da menopausa. Iniciar o tratamento nesse período está associado a uma melhor relação risco-benefício, especialmente no que diz respeito à proteção cardiovascular, redução da mortalidade geral e menor risco de demência, comparado ao início tardio da terapia.
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