PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Filomena, de 12 meses de idade, previamente saudável, está apresentando diarreia líquida há sete dias, com fezes volumosas, sem sangue, eliminadas de forma explosiva acompanhada de distensão abdominal e assadura importante na região perianal. Ao exame físico, pesa 6Kg, está levemente enoftálmica, com sede, diurese diminuída. A perfusão de extremidades é de quatro segundos. Em uso de dieta normal para a idade e com fórmula alimentar habitual. Qual deve ser a conduta inicial MAIS ADEQUADA em relação à hidratação?
Desidratação leve/moderada (Plano B) → Terapia de Reidratação Oral (TRO).
A presença de sinais de desidratação (sede, enoftalmia) sem choque franco em uma criança que tolera a via oral indica o Plano B da OMS: Terapia de Reidratação Oral.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade infantil global, sendo a desidratação a sua complicação mais comum. O manejo baseia-se nos protocolos da OMS e do Ministério da Saúde, divididos em Planos A, B e C. O caso clínico descreve uma criança com sinais clássicos de desidratação (enoftalmia, sede, diurese diminuída), mas que ainda mantém interação e sede, o que a enquadra no Plano B.\n\nA fisiopatologia da reidratação oral baseia-se no cotransporte de sódio e glicose no epitélio intestinal, que permanece funcional mesmo durante a maioria das infecções entéricas. Isso permite a absorção de água e eletrólitos, revertendo a desidratação sem a necessidade de procedimentos invasivos. A assadura perianal e as fezes explosivas sugerem uma possível intolerância transitória à lactose ou diarreia osmótica, mas a prioridade imediata é sempre a correção do déficit hídrico.
O Plano B é indicado para crianças com sinais de desidratação leve a moderada, como sede aumentada, irritabilidade, enoftalmia e diminuição do turgor cutâneo, mas que não apresentam sinais de choque hipovolêmico (como letargia, pulsos débeis ou hipotensão). A conduta baseia-se na administração de Soro de Reidratação Oral (SRO) na unidade de saúde, sob supervisão, em pequenas quantidades frequentes (colher ou copo). A dose recomendada é de 50 a 100 ml/kg em um período de 2 a 4 horas. Se a criança apresentar vômitos persistentes ou recusa alimentar, a gastróclise pode ser considerada antes da via endovenosa. O sucesso da TRO reduz significativamente a necessidade de hospitalização e complicações associadas à hidratação parenteral.
A falha da TRO é caracterizada pela persistência ou agravamento dos sinais de desidratação apesar da oferta adequada de SRO. Os principais critérios incluem: vômitos persistentes (mais de 3 em 1 hora), recusa em beber o soro, distensão abdominal importante com íleo paralítico, ou evolução para sinais de choque (Plano C). Nesses casos, a via oral deve ser abandonada em favor da hidratação parenteral ou sonda nasogástrica (gastróclise), dependendo da gravidade e da disponibilidade de acesso venoso.
A diferenciação reside na gravidade dos sinais clínicos. No Plano B, a criança está alerta, sedenta e apresenta sinais como enoftalmia e sinal do prega que desaparece lentamente. No Plano C (desidratação grave/choque), a criança apresenta alteração do nível de consciência (letargia ou coma), incapacidade de beber, pulsos radiais muito débeis ou ausentes, tempo de enchimento capilar muito prolongado (> 5 segundos) e hipotensão. Enquanto o Plano B foca na reidratação oral supervisionada, o Plano C exige expansão volêmica imediata com cristaloides por via endovenosa ou intraóssea.
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