HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2025
Um menino de 2 anos de idade é levado ao prontosocorro com diarreia aquosa há 3 dias, acompanhada de febre baixa e vômitos ocasionais. Os pais informaram que ele está menos ativo e recusando líquidos. No exame, a criança apresenta mucosas secas, olhos fundos e diminuição do turgor cutâneo. A frequência respiratória está aumentada, e o tempo de enchimento capilar é de 3 segundos. Considerando o quadro clínico e os temas correlatos, julgue os itens a seguir: A abordagem inicial deve incluir hidratação endovenosa obrigatória devido aos sinais de desidratação moderada a grave.
Desidratação moderada/grave → Hidratação EV NÃO é obrigatória se houver resposta à Terapia de Reidratação Oral (TRO).
A hidratação endovenosa é indicada para desidratação grave com choque ou incapacidade de ingerir líquidos. Para desidratação moderada, a Terapia de Reidratação Oral (TRO) é a primeira escolha e mais eficaz, mesmo em casos graves sem choque, desde que o paciente consiga beber.
A desidratação, frequentemente associada a doenças diarreicas agudas, é uma causa significativa de morbimortalidade, especialmente em crianças. A abordagem inicial e a escolha da via de reidratação são cruciais para um desfecho favorável. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil preconizam a Terapia de Reidratação Oral (TRO) como a primeira linha de tratamento para a maioria dos casos de desidratação. A afirmação de que a hidratação endovenosa é "obrigatória" para desidratação moderada a grave é incorreta. Embora a desidratação grave possa requerer hidratação EV, a TRO ainda é a primeira escolha para desidratação moderada e até mesmo para desidratação grave sem sinais de choque, desde que o paciente esteja consciente e seja capaz de ingerir líquidos sem vômitos incoercíveis. A solução de reidratação oral (SRO) é formulada para otimizar a absorção de água e eletrólitos no intestino. A hidratação endovenosa é reservada para situações específicas, como desidratação grave com choque hipovolêmico, alteração do nível de consciência que impede a ingestão, vômitos persistentes e intratáveis, ou falha da TRO. Para residentes, é vital compreender que a via oral é sempre preferível quando possível, devido à sua segurança, menor custo e eficácia comprovada, evitando os riscos associados ao acesso venoso. A avaliação cuidadosa do grau de desidratação e da capacidade de ingestão do paciente guia a escolha da via de reidratação.
A hidratação endovenosa é indicada principalmente em casos de desidratação grave com sinais de choque (hipotensão, taquicardia, enchimento capilar > 3s), alteração do nível de consciência, vômitos incoercíveis que impedem a TRO, ou falha da TRO.
A TRO é preferível por ser mais segura, mais barata, menos invasiva e tão eficaz quanto a hidratação endovenosa para a maioria dos casos de desidratação (leve a moderada e até grave sem choque). Ela utiliza o mecanismo de cotransporte de sódio-glicose para absorção de água e eletrólitos.
Sinais de desidratação moderada a grave incluem olhos encovados, ausência de lágrimas, boca e língua secas, sede intensa, diminuição da elasticidade da pele (sinal da prega), enchimento capilar prolongado, taquicardia e hipotensão (em casos mais graves).
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