Desidratação Moderada em Crianças: Manejo com SRO

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Uma menina (quatro anos, peso = 16 kg) chega ao pronto-socorro com relato de vômitos (três episódios) e fezes aquosas (quatro episódios) atribuídos à intoxicação alimentar. A família relata quadro semelhante em várias pessoas após almoço em um evento na igreja. Ao exame físico, observam-se sinais de desidratação moderada, sem outras alterações. A conduta imediata será:

Alternativas

  1. A) prescrição de solução de reidratação oral: volume de 1200 ml em 4 horas - a presença de vômitos não impede o uso de via oral.
  2. B) prescrição de soro de manutenção isotônico para suprir o gasto metabólico basal, sendo o volume total de 1.300 ml em 24 horas (velocidade: 18 mL/hora).
  3. C) prescrição de lavagem gástrica com soro fisiológico visando eliminar os agentes causadores da intoxicação alimentar e realização de exames laboratoriais.
  4. D) prescrição de soro glicosado a 5% e soro fisiológico a 0,9% (na proporção 1:1); volume total: 1600 ml e velocidade de 22 mL/hora.

Pérola Clínica

Desidratação moderada em criança com vômitos → Rehidratação Oral (SRO) é a conduta inicial, mesmo com vômitos.

Resumo-Chave

Em crianças com desidratação moderada, a terapia de reidratação oral (TRO) é a primeira escolha e mais eficaz, mesmo na presença de vômitos. Pequenas quantidades frequentes de SRO são bem toleradas e absorvidas. O volume recomendado para desidratação moderada é de 50-100 mL/kg em 4 horas. Para uma criança de 16 kg, isso significa 800-1600 mL, sendo 1200 mL um volume adequado dentro dessa faixa.

Contexto Educacional

A desidratação em crianças, frequentemente causada por gastroenterites agudas, é uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente. A intoxicação alimentar, como no caso apresentado, é uma causa comum de gastroenterite. O reconhecimento rápido do grau de desidratação e a instituição da terapia adequada são cruciais para um desfecho favorável. A avaliação da desidratação baseia-se em sinais clínicos como estado geral, olhos, lágrimas, boca, sede, elasticidade da pele e enchimento capilar. A desidratação moderada é caracterizada por alguns desses sinais, mas sem choque. A fisiopatologia envolve perda de água e eletrólitos, levando a hipovolemia e distúrbios eletrolíticos. A terapia de reidratação oral (TRO) é a pedra angular do tratamento da desidratação leve a moderada, sendo mais segura, eficaz e menos invasiva que a via intravenosa. A solução de reidratação oral (SRO) da OMS, com sua composição balanceada de sódio, glicose e outros eletrólitos, facilita a absorção de água pelo cotransporte de sódio-glicose. Mesmo na presença de vômitos, a TRO deve ser tentada, administrando pequenos volumes frequentemente. A reidratação intravenosa é reservada para desidratação grave ou falha da TRO.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação moderada em crianças?

Sinais de desidratação moderada incluem olhos fundos, boca e língua secas, sede aumentada (criança bebe avidamente), elasticidade da pele diminuída (prega cutânea que desaparece lentamente), irritabilidade ou letargia, e ausência de lágrimas.

Como calcular o volume de SRO para uma criança com desidratação moderada?

Para desidratação moderada, a recomendação geral é administrar 50 a 100 mL de SRO por quilo de peso corporal, ao longo de 4 horas. Para uma criança de 16 kg, isso seria entre 800 mL e 1600 mL, com 1200 mL sendo uma opção razoável dentro dessa faixa.

Por que a presença de vômitos não impede a reidratação oral?

A reidratação oral é eficaz mesmo com vômitos porque a absorção de água e eletrólitos no intestino delgado continua a ocorrer. A chave é administrar a SRO em pequenas quantidades (colheradas ou goles pequenos) e de forma frequente, permitindo que o intestino absorva os líquidos antes que um novo episódio de vômito ocorra.

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