HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2021
Uma criança de 1 ano é atendida na unidade de saúde por diarreia e vômitos iniciados há 24 horas. Após a avaliação inicial, optou-se por deixá-la em sala de observação e iniciar com soro de reidratação por via oral. Após 4 horas, a paciente estava afebril e com boa perfusão periférica, mas suas evacuações eram mais frequentes, com fezes mais volumosas e aquosas, sem sangramentos. Sua diurese era de 3 ml/Kg/hora. Neste momento, a conduta mais adequada é:
Diarreia persistente com boa perfusão e diurese adequada → Manter SRO, não escalar para IV.
Em crianças com diarreia e vômitos, a persistência das evacuações aquosas, sem sinais de desidratação grave (boa perfusão, diurese normal), indica que a terapia de reidratação oral está sendo eficaz e deve ser mantida. A reidratação intravenosa é reservada para falha da TRO ou desidratação grave.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos globalmente. A desidratação é a complicação mais grave e o manejo adequado é crucial para prevenir desfechos adversos. A terapia de reidratação oral (TRO) é a pedra angular do tratamento, sendo eficaz na maioria dos casos. A fisiopatologia da diarreia envolve a perda de água e eletrólitos, levando à desidratação. A TRO atua repondo essas perdas através de uma solução com proporções adequadas de sódio, glicose e outros eletrólitos, que facilitam a absorção de água no intestino. O sucesso da TRO é avaliado pela melhora do estado geral, perfusão periférica, diurese e nível de consciência, independentemente da persistência das evacuações. O tratamento da diarreia aguda em crianças foca na prevenção e tratamento da desidratação com TRO, manutenção da alimentação e, em alguns casos, suplementação de zinco. A hidratação intravenosa é reservada para situações de desidratação grave ou falha da TRO. É fundamental que o residente saiba diferenciar os graus de desidratação e aplicar a conduta correta para evitar complicações.
Sinais incluem letargia, olhos encovados, ausência de lágrimas, boca seca, turgor da pele diminuído, enchimento capilar lento e pulsos fracos.
A TRO é mais segura, menos invasiva, mais barata e tão eficaz quanto a hidratação IV para a maioria dos casos de desidratação leve a moderada, além de ser fisiológica.
A hidratação IV é indicada em casos de desidratação grave, choque, falha da TRO (vômitos incoercíveis, distensão abdominal grave, íleo paralítico) ou alteração do nível de consciência.
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