HFCF - Hospital Federal Cardoso Fontes (RJ) — Prova 2015
Sobre a terapia precoce guiada por objetivos proposta por Rivers no manejo do choque séptico, identifique a alternativa que se enquadra nos objetivos "Goal" do autor.
Terapia guiada por objetivos (Rivers) no choque séptico → Manter SvO₂ > 70% é meta chave.
A terapia precoce guiada por objetivos (EGDT) de Rivers para choque séptico enfatiza a otimização da entrega de oxigênio, tendo como uma das metas principais manter a saturação venosa central de oxigênio (SvO₂) acima de 70%, refletindo o equilíbrio entre oferta e consumo.
A terapia precoce guiada por objetivos (Early Goal-Directed Therapy - EGDT), proposta por Emanuel Rivers em 2001, revolucionou o manejo inicial do choque séptico e da sepse grave. Seu protocolo visava otimizar a entrega de oxigênio aos tecidos nas primeiras seis horas, com o objetivo de reduzir a mortalidade. Compreender seus princípios é fundamental para o residente. O protocolo EGDT de Rivers estabeleceu metas hemodinâmicas específicas a serem alcançadas nas primeiras seis horas de reanimação. Estas incluíam manter uma pressão venosa central (PVC) entre 8-12 mmHg (para otimizar a pré-carga), uma pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg (para garantir a perfusão de órgãos) e um débito urinário ≥ 0,5 mL/kg/h (como marcador de perfusão renal). No entanto, a meta mais distintiva e central era manter a saturação venosa central de oxigênio (SvO₂) ≥ 70% (ou saturação venosa jugular de oxigênio - SvjO₂ ≥ 65%). A SvO₂ é um indicador crucial do balanço entre a oferta e o consumo de oxigênio. Uma SvO₂ baixa sugere que os tecidos estão extraindo mais oxigênio do que o normal, indicando hipoperfusão ou aumento do consumo. Para atingir a meta de SvO₂ ≥ 70%, o protocolo de Rivers preconizava a administração de fluidos, vasopressores, inotrópicos (se necessário, como dobutamina) e, em alguns casos, transfusão de concentrado de hemácias para manter o hematócrito > 30%. Embora estudos posteriores tenham questionado a superioridade da EGDT em comparação com o tratamento padrão, os princípios de monitorização e otimização da perfusão tecidual continuam sendo pilares no manejo do choque séptico.
As metas principais da EGDT de Rivers incluíam: PVC de 8-12 mmHg, PAM ≥ 65 mmHg, débito urinário ≥ 0,5 mL/kg/h e SvO₂ ≥ 70% (ou SvjO₂ ≥ 65%).
A SvO₂ reflete o balanço entre a oferta e o consumo de oxigênio pelos tecidos. Uma SvO₂ baixa (<70%) indica que a oferta de oxigênio é insuficiente para as demandas metabólicas, sugerindo hipoperfusão tecidual e necessidade de otimização hemodinâmica.
Embora o estudo original de Rivers tenha mostrado benefício, estudos subsequentes (ARISE, PROMISE, PROCESS) não replicaram os mesmos resultados, levando a uma revisão das diretrizes. Atualmente, a abordagem é mais individualizada, mas os princípios de otimização hemodinâmica e perfusão tecidual permanecem relevantes.
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