HOC - Hospital de Olhos de Conquista (BA) — Prova 2015
Uma criança de 1 ano, 10 kg, estatura de 74 cm, é admitida na UTI Pediátrica por Meningite Bacteriana. Encontra-se comatosa, FC = 180 bpm, FR = 44 irpm, PA = 75 x 50 mmHg. Iniciado antibioticoterapia e medidas de suporte. Quando iniciar a terapia nutricional?
Paciente pediátrico grave: iniciar terapia nutricional APÓS estabilização hemodinâmica para evitar isquemia intestinal.
Em pacientes pediátricos gravemente enfermos, especialmente com instabilidade hemodinâmica como a criança com meningite bacteriana em choque, a prioridade é a estabilização. A nutrição enteral precoce é benéfica, mas deve ser iniciada apenas após a perfusão tecidual estar garantida, para evitar complicações como isquemia mesentérica.
A terapia nutricional em pacientes pediátricos críticos, como aqueles com meningite bacteriana grave, é um pilar fundamental do tratamento de suporte. No entanto, o momento de seu início é crucial e deve ser cuidadosamente avaliado. A nutrição enteral precoce, quando possível, tem demonstrado benefícios significativos na manutenção da integridade da barreira intestinal, modulação da resposta imune e redução de complicações infecciosas. A fisiopatologia do paciente crítico envolve uma resposta inflamatória sistêmica e, frequentemente, comprometimento hemodinâmico. Em estados de choque, o fluxo sanguíneo é redistribuído para órgãos vitais, como cérebro e coração, em detrimento do trato gastrointestinal. Iniciar a alimentação enteral nesse cenário pode levar à isquemia mesentérica, translocação bacteriana e piora do quadro clínico, incluindo enterocolite necrosante. Portanto, a conduta correta é priorizar a estabilização hemodinâmica do paciente, garantindo uma perfusão tecidual adequada antes de iniciar a terapia nutricional. Uma vez que o paciente esteja estável, a nutrição enteral deve ser introduzida progressivamente, monitorando a tolerância e ajustando conforme a necessidade, visando otimizar a recuperação e reduzir a morbimortalidade.
A estabilidade hemodinâmica é avaliada por parâmetros como pressão arterial adequada para a idade, frequência cardíaca normal, tempo de enchimento capilar < 2 segundos, diurese > 1 mL/kg/h e ausência de necessidade de vasopressores em doses crescentes.
A nutrição enteral precoce ajuda a manter a integridade da barreira intestinal, modula a resposta inflamatória e previne a translocação bacteriana. Contudo, em instabilidade hemodinâmica, o fluxo sanguíneo para o intestino é reduzido, e a alimentação pode precipitar isquemia e necrose intestinal.
Os principais riscos incluem isquemia mesentérica, enterocolite necrosante, distensão abdominal, vômitos e aspiração, que podem piorar o prognóstico do paciente já gravemente comprometido pela infecção.
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