UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 73 anos possui programação para realizar esofagectomia por neoplasia de esôfago em 5 dias. Refere perda ponderal de 10 kg, nos últimos 2 meses, atribuído à disfagia e inapetência. EF: REG, emagrecida e descorada, peso: 47 kg, IMC: 15,8 kg/m². É correto afirmar que, quanto aos cuidados nutricionais perioperatórios, o procedimento cirúrgico:
Desnutrição grave (perda >10% em 6m ou IMC <18,5) → adiar cirurgia 7-14 dias para nutrição.
Pacientes com desnutrição grave e cirurgia de grande porte programada devem receber suporte nutricional pré-operatório por 7 a 14 dias para reduzir complicações, mesmo que isso adie o procedimento oncológico.
A esofagectomia é um procedimento de alta complexidade associado a elevadas taxas de complicações. A desnutrição, comum em pacientes com câncer de esôfago devido à disfagia, é um fator de risco independente para fístulas e sepse. As diretrizes da ESPEN e BRASPEN enfatizam que a otimização do estado nutricional no pré-operatório é uma das medidas mais eficazes para melhorar o desfecho clínico. O manejo envolve triagem sistemática (como o NRS-2002) e intervenção precoce. Em casos de desnutrição grave, o benefício da imunonutrição e do aporte calórico-proteico adequado antes da agressão cirúrgica é robusto, justificando o adiamento planejado da operação para garantir uma cicatrização mais segura e menor resposta inflamatória sistêmica.
O adiamento de uma cirurgia de grande porte, como a esofagectomia, é indicado em pacientes com desnutrição grave. Os critérios incluem perda ponderal superior a 10-15% em 6 meses, IMC inferior a 18,5 kg/m², ou albumina sérica abaixo de 3,0 g/dL. Nesses casos, a reabilitação nutricional por 7 a 14 dias reduz significativamente a morbimortalidade pós-operatória, superando o risco de progressão da neoplasia nesse curto intervalo.
A via enteral (oral com suplementos ou sonda) é sempre preferível à via parenteral, seguindo o princípio de manter a integridade da barreira mucosa intestinal e reduzir o risco de translocação bacteriana e infecções. A nutrição parenteral deve ser reservada apenas para pacientes com contraindicação absoluta ao uso do trato gastrointestinal ou quando as metas calóricas não são atingidas pela via enteral.
Este período de suporte nutricional visa melhorar a função imunológica, a síntese proteica e a resposta metabólica ao estresse cirúrgico. Estudos demonstram que essa intervenção reduz as taxas de infecção de sítio cirúrgico, deiscências de anastomose, tempo de ventilação mecânica e o tempo total de internação hospitalar em pacientes cirúrgicos de alto risco nutricional.
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